Jovens pregando a censura
Um dia desses, ao fazer um comentário num blog defendendo a liberdade de expressão, fiquei surpreso ao receber várias respostas com críticas à minha posição liberal. Alguns jovens afirmavam que “deve haver limites na liberdade de expressão”, “não se pode dizer tudo o que pensa” e que “a lei deve punir esses atos”.
É preocupante encontrar jovens que fazem a apologia da censura e do cerceamento da liberdade de expressão. Pregam contra si próprios ao elogiar a censura e ao mesmo tempo fazendo uso de sua liberdade de expressão para isso.
Que tipo de educação receberam esses jovens? Não saber ouvir e não aceitar opiniões diferentes é tipico da imaturidade juvenil, mas ser favorável à censura ou a algum controle na liberdade de expressão é sinal de que viram esse comportamento em adultos durante a fase escolar. A única fonte (quase) institucionalizada de censura atuando sistematicamente nos últimos anos tem sido a atuação dos politicamente corretos[1] - psicólogos e suas teorias sem comprovação - com suas críticas à maneira de falar das pessoas, tentando substituir palavras e expressões[2], criticando opiniões tidas como “incorretas” de maneira padronizada. Enquanto alguns teóricos ficam repetindo que “certas coisas não devem ser ditas” por serem politicamente incorretas, paralelamente o governo cria leis que punem a livre expressão da opinião[3] - polêmicas à parte, isso com certeza contribui em muito para ensinar aos jovens que “a censura é boa e necessária”.
Sejam quais forem as causas, o fato é que esse é o resultado, jovens que têm liberdade de expressão, opinião, sexual e, no entanto, defendem um controle da liberdade de expressão.
Preocupante e decepcionante. Pais e avós desses jovens lutaram para que hoje estes desfrutassem dessa liberdade - liberdade da qual fazem uso em todos os momentos quando expressam suas opiniões - a mesma liberdade que desejam limitar (nos outros) quando esta se volta contra eles em opiniões divergentes.
Esses jovens não aprenderam que o que deve limitar a liberdade de expressão é o respeito pelos sentimentos alheios, a consciência e a tolerância, jamais a lei.
Ao tentar combater intolerância com intolerância mostram que não entenderam o conceito de liberdade, não entenderam como é difícil conquistar e manter a liberdade, não entenderam que abrir exceções na liberdade de expressão é abrir caminho para a perda total da liberdade. Não entenderam nada.
“I disapprove of what you say, but I will defend to the death your right to say it.” - Evelyn Beatrice Hall
[1] - O mau exemplo também vem do governo e de grupos religiosos.
[2] - Como no caso das cantigas infantis onde “Escravos de Jó jogavam caxangá” virou “Amigos de Jó jogavam caxangá” e “Atirei o pau no gato” virou “Não atirei o pau no gato”, muito embora nem essas alterações nem as ridículas teorias psico-pedagógicas modernas impeçam que alguns jovens educados nesses moldes botem fogo em algum índio ou espanquem uma doméstica no ponto de ônibus.
[3] - Como por exemplo veja-se esta notícia sobre liberdade na internet. Mostrando que entre os que são favoráveis à limitação da liberdade de expressão estão não só alguns jovens e pessoas imaturas em geral mas também déspotas em potencial e políticos sem-vergonha.
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Terça-feira, 26 / Fevereiro / 2008 em 13:55
Muito bom, muito bom mesmo.
Eu diria que é uma tremenda falta de “capacidade de percepção”, pra não chamar de falta de inteligência ou de sensibilidade, quando as pessoas não conseguem ouvir algo sem que se sintam ofendidas pessoalmente. É preciso separar as idéias dos indivíduos, saber onde começa um e onde termina o outro. A incapacidade de se saber maior do que a ideologia que escolheram viver é que faz com que as pessoas procurem meios como a censura para se protegerem.
Isso parece ser característica da imaturidade - dos jovens, como você bem retrata.
Liberdade de expressar as idéias exige a contratpartida de ser capaz de ouvi-las sem se sentir ofendido.
Em algum lugar eu li: não há ofensor, há tão somente o ofendido.
Terça-feira, 26 / Fevereiro / 2008 em 14:47
Olha aí uma jovem que defende a liberdade de expressão!
Obrigado, Maria!
abraço prá você
Quarta-feira, 27 / Fevereiro / 2008 em 13:09
O difícil é encontrar bom senso.
Por exemplo, na época da polêmica do REUNI, os estudantes da universidade em que eu estudo, fizeram um barulho imenso porque o reitor não teve tempo de atendê-las e usou da força terceirizada (segurnças) para conter os mais exagerados. Mas não mandou bater, óbvio. Então eles já chamaram o reitor de fascista. hahaha Eu só faltava me acabar de rir quando eles chegavam nas salas em que eu estava, era de dar pena. Uns meninos que nunca viram uma arma na vida (só porque os seguranças usavam armas), já se sentiram agredidos em todos os sentidos. Eu achei muito ingênuo da parte deles. Eles não sabem de nada, não podem sair por aí qualificando os outros como fascistas. Eu não sou a favor da total liberdade de expressão, nesse sentido. Acho muito difícil encontrar cabeças pensantes de bom senso. Na teoria é tudo bonito, mas na prática…
Nesse caso, eu estava totalmente de acordo com o reitor, já pensou se ele fosse perder tempo com todo asno que prega liberdade de expressão.
Aliás, conheço outros exemplos de gente que prega a liberdade de expressão, mas na prática…
O vocalista da banda Charlie Brown Jr., por ex, quando ouviu do integrante de outra banda (Los hermanos) algo do tipo ”não gosto da tua banda”, foi logo batendo no cara. hehehe
É complicado.
Quarta-feira, 27 / Fevereiro / 2008 em 14:36
Olá Dinhazinha
Eu me refiro apenas à liberdade de expressão, o direito de falar o que se pensa. Fechar uma rodovia em protesto contra algo, por exemplo, não é liberdade de expressão, é baderna, e viola os direitos dos outros. Pelo que eu entendi do caso que você citou, o reitor lançou mão dos seguranças para conter os mais exaltados e não pelo fato de ter sido chamado de fascista. Assim ele não estava tolhendo a liberdade de expressão dos alunos. E eu também concordo com o reitor, não gosto de baderneiros.
T-rex prega a liberdade de expressão, logo T-rex é um asno.
Isso é liberdade de expressão, eu não censurei seu comentário.
Independentemente de qualquer sentimento que eu possa ter, eu jamais seria favorável a uma lei que proíba as pessoas de chamarem outras de asno.
No artigo falei de maneira genérica para evitar citar qualquer caso específico.
Vejamos, por exemplo, quais as chances de você ser processada (ou de, pelo menos, se meter numa bela encrenca) se você:
- chamar o presidente de asno?
- declarar que não gosta de ciganos, gays, etc?
- declarar que não acredita que o holocausto aconteceu?
- publicar uma charge sobre Maomé?
Acho que são consideráveis as chances… isso é limitar a liberdade de expressão; a ameaça da lei e a censura social são formas de terrorismo psicológico.
Mesmo assim mando um abraço pra você
Quarta-feira, 27 / Fevereiro / 2008 em 23:29
owww, eu falei dos asnos que pregam a liberdade de expressão, não que todos que pregam a liberdade de expressão sejam asnos…
perdão, perdão, perdão!
mas se você ler com calma talvez entenda a idéia geral que eu tentei (tentei mesmo) expressar…
beijo
Quinta-feira, 28 / Fevereiro / 2008 em 09:22
Não se preocupe, eu entendi… só fingi que não.
Segunda-feira, 3 / Março / 2008 em 12:44
Chato, que susto.