O Significado da Páscoa
Depois de um inverno gelado no hemisfério norte, o sol lentamente volta a aparecer cada vez mais intenso, o gelo e neve começam a derreter, descobrindo a terra após um longo período, as plantas começam a renascer, os animais voltam a aparecer.
Inicia-se a primavera (em 20 de março ocorre o equinócio da primavera no hemisfério norte). É o renascimento da natureza, época do plantio e cultivo dos campos e também a época de acasalamento de diversas espécies. Nessa época muito importante tinham lugar as festas pagãs de celebração do “renascimento da natureza”.
Durante esse período a terra será preparada para receber as sementes e portanto também é o momento de pedir aos deuses que a terra seja fértil e dê uma boa colheita, caso contrário haverá fome durante o próximo inverno. Num ritual importante que ocorria nessa época os participantes pintavam e decoravam ovos (símbolo da fertilidade) e os escondiam nos campos.
Essas festas pagãs eram muito importantes, estavam ligadas à continuidade da vida, renascimento, agricultura. No hemisfério norte, onde o inverno é rigoroso, a população dispunha somente da colheita anterior para sobreviver. Assim, pedir fertilidade aos deuses era questão de vida ou morte.
Poucos séculos depois do surgimento do cristianismo, a Igreja, ao invés de tentar erradicar essas festas pagãs tão importantes e arraigadas na cultura, optou ardilosamente por incorporá-las à sua liturgia, tomando o cuidado de lhes atribuir uma nova roupagem. Assim criou-se a festa da Páscoa que deveria coincidir com as festas pagãs do início da primavera. No primeiro concílio de Nicéia, no ano de 325, a data da Páscoa foi estabelecida para ocorrer entre os dias 22 de Março e 25 de Abril.
As adaptações feitas pela Igreja Católica tiveram o cuidado de criar mitos que se ajustassem à simbologia das festas pagãs, assim o renascimento da natureza daria lugar ao renascimento de Jesus. A austeridade do jejum substituiria rituais de cunho sexual de fertilidade. E assim a festa da Páscoa tomou o lugar da festividade de primavera em honra de Eostre, a Deusa anglo-saxã da fertilidade (Páscoa em inglês é ‘Easter’ e em alemão ‘Ostern’). Os ovos de chocolate, ovos coloridos e o coelhinho da Páscoa de hoje são símbolos de renascimento e da fertilidade que se esperava ter no período da colheita.
Em resumo, a Páscoa foi inventada para “matar dois coelhos com uma só paulada” (trocadilho não intencional):
apagar da memória popular uma importante festa pagã e criar um novo mito cristão aproveitando a popularidade dessa festa.
Ademais, para hereges adoradores de chocolate, a Páscoa é um ótimo pretexto para se empanturrar de ovos.
A figura no alto mostra a deusa egipcia Isis amamentando o deus Hórus. Isis corresponde a Ishtar, deusa da fertilidade e da primavera, dos acádios.
Qualquer semelhança com meninos-deuses de outras religiões não é mera coincidência. (Ver também Pagan Origins of the Christ Myth)
P.S.: Curiosamente, as pessoas mais e mais esquecem a simbologia cristã da Páscoa, a qual vai se tornando uma festa consumista, como o Natal. Parece que, da mesma maneira que o Cristianismo usurpou aos pagãos sua festa, o consumismo capitalista faz o mesmo ao Cristianismo. Doce ironia.
(Uma pesquisa no Google pode mostrar diversos textos reclamando e conclamando cristãos a lembrar o significado cristão da Páscoa.)
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Sexta-Feira, 21 / Março / 2008 em 12:53
Tyrannus:
Só para variar, mais uma excelente postagem.
Bom feriado para você.
Abraços.
Sexta-Feira, 21 / Março / 2008 em 14:52
Obrigado, Fatima!
Bom feriado para você também e um abração.
Sexta-Feira, 23 / Maio / 2008 em 18:34
Gostaria de dizer que a Igreja possui duas fontes principais: a tradiçao egipcia e a tradiçao sumeriana. ´E de proposito que a Igreja nao tenha citado as fontes para os seus fieis. Quem quiser saber mais, acesse esse video no youtube:
http://br.youtube.com/watch?v=GPkB9X2Kclg&feature=related
Um abraço,
Ivan.