As Leis da Natureza

Chamemos Leis da Natureza (Leis Naturais, Leis do Universo, Leis Universais) as leis segundo as quais o Universo funciona [1]. Por exemplo, as leis da gravitação de Newton, suas três leis do movimento, leis do gas ideal, leis de Mendel, de Arquimedes, de Kepler, da oferta e da procura, da conservação, da termodinâmica, da causalidade, probabilidade, etc [2].

Deve-se destacar que uma Lei da Natureza é uma descrição da realidade, é a descrição de como a natureza se comporta.
O que nos interessa aqui são as conseqüências da existência dessas leis; a definição do que constitui uma lei e qual sua natureza é objeto da metafísica e não nos interessa aqui [3].
Neste texto os termos Natureza e Universo são sinônimos e significam: tudo o que existe. E as conclusões deste texto baseiam-se em dois fatos:

I) o Universo existe [4];

II) as Leis da Natureza existem e determinam como o Universo se comporta;

Propriedades

Verifica-se que as Leis da Natureza possuem algumas propriedades [5].
As Leis da Natureza:

1) funcionam da mesma maneira em qualquer local do universo e em qualquer tempo [6] (Princípio da Universalidade);

2) são absolutas (nada no universo as afeta) (Princípio do Absolutismo);

3) são estáveis (não se alteram com o tempo) [7] (Princípio da Estabilidade);

4) são onipotentes (tudo no universo está aparentemente sujeito a elas) (Princípio da Onipotência);

5) são objetivas (podem ser demonstradas por qualquer um, produzindo sempre os mesmos resultados sob as mesmas condições) (Princípio da Objetividade);

Conseqüências Imediatas

a) da existência do Universo e das Leis da Natureza

Pode-se duvidar da existência de deus mas não se pode duvidar da existência do Universo nem da existência das Leis da Natureza. Esse é um detalhe extremamente significativo pois indica a real prioridade das entidades. O conceito de deus não existe sem nós e portanto só existe nas nossas mentes; o Universo e suas leis já existiam antes de nós e continuarão a existir depois que nós não mais existirmos. O conceito de deus depende de nós, é relativo; o Universo e suas leis não dependem de nós [8]. A dificuldade em se provar a existência de deus provavelmente reside no fato que, na verdade, não se esteja tentando provar a existência de deus mas do deus que imaginamos, ou seja, do nosso conceito de deus, e é justamente esse conceito que não encontra respaldo na Natureza. Tentar descobrir se deus existe é diferente de tentar provar que deus, como o imaginamos, existe.

b) da universalidade das Leis da Natureza

Se as Leis da Natureza funcionam da mesma maneira em qualquer local do universo e em qualquer tempo então o Universo é previsível quando se conhecem todas suas leis – não é o nosso caso; conhecendo-se parcialmente as leis faz com que o Universo seja parcialmente previsível para nós, ou estatisticamente previsível.
Em princípio tudo se desenrola pela lei da causalidade (causa e efeito), mas a complexa interação de eventos e influência destes entre si produz entrelaçamentos de cadeias de eventos numa uma sucessão pseudo-aleatória (que nos dá a impressão de ser aleatória) e que pode ser alterada pela vontade. A vontade pode gerar novos eventos e alterar a seqüência dos eventos já em curso. [14]

c) do absolutismo das Leis da Natureza

1+1=2 é uma verdade absoluta, acreditar noutro resultado não afeta a realidade – a fé não move montanhas; rezar, pedir (com intuito de comover aos deuses) não altera a realidade; oferecer sacrifícios, orações, promessas (com intuito de subornar aos deuses) não altera a realidade; entretanto é possível alterar-se a realidade fazendo-se uso das próprias Leis da Natureza, como por exemplo, o efeito placebo – a crença na melhora causando a melhora é um fenômeno que está dentro do escopo do que é permitido pelas Leis da Natureza.

d) da estabilidade das Leis da Natureza

No momento seguinte ao Big Bang formaram-se as Leis Naturais, uma das primeiras é a Gravidade [9], e elas continuam valendo, e nada há que indique que isso se alterará [6]. Deve-se notar que se as leis naturais puderem se alterar com o tempo, isto também será uma lei natural e estará previsto no código do universo.

e) da onipotência das Leis da Natureza

A gravidade vale para todos que resolverem pular de um edifício de 50 andares, tanto Adolf Hitler quanto Jesus iriam igualmente se estatelar no chão, não existem indivíduos protegidos que sejam imunes a ela, não existem favorecidos, não adianta rezar para não cair, crer que não irá cair será inútil; e ninguém pode se recusar a obedecer a lei da gravidade. Deve-se notar que ao usar um paraquedas ou uma asa delta, por exemplo, estamos utilizando outras leis naturais que nos possibilitam não cair – é permitido simplesmente porque é possível. Também não existem seres privilegiados que possuam “super-poderes”.

f) da objetividade das Leis da Natureza

Qualquer pessoa pode, em casa, fazer um experimento de eletrólise da água, separando-a nos seus componentes oxigênio e hidrogênio, não é preciso crer nem ter fé nem é necessário possuir poderes especiais, não é preciso seguir uma religião nem ser “abençoado” (seja lá o que isso signifique) nem receber uma revelação divina. As Leis da Natureza podem ser descobertas, comprovadas e utilizadas por qualquer um, em princípio.

Outras Conseqüências

A) Justiça

As Leis da Natureza são demonstráveis por todos, são válidas e iguais para tudo e todos, sem exceções, em qualquer lugar e em qualquer tempo, isso é o mais próximo que se pode chegar de uma Justiça – ou em outras palavras, essa é a única justiça que pode existir. Porém a justiça na qual gostamos de acreditar, aquela das iguais oportunidades para todos, não existe: povos que descobrem as Leis da Natureza levam vantagem sobre os que não as descobrem pois entendem melhor o mundo, podem manipulá-lo e prever acontecimentos.

B) O Pecado

Qual ação seria mais digna de um Deus onipotente: criar leis que coordenam o Universo inteiro e nada pode desafiá-las, ou criar tolas leis com a única finalidade de reger o comportamento de uma espécie de primatas que vivem num planetinha [10] qualquer e que podem ser desobedecidas por qualquer um?

Pecado, por definição, é a transgressão de preceitos religiosos, é desobedecer às leis divinas. Se deus não existe então não existe pecado. Se deus existe, então as Leis da Natureza são as verdadeiras leis de deus. Nada nem ninguém pode desafiar ou desobedecer as Leis da Natureza, logo o pecado não pode existir por ser algo impossível. Assim, se deus existe então o pecado não existe. Portanto, independentemente da existência de deus, o pecado não existe. [11]

C) O Sobrenatural

Nem todas as Leis da Natureza são conhecidas pelo homem, assim a existência de fenômenos ainda não explicados dá margem a crenças no sobrenatural; porém a situação de não-conhecimento é temporária;
tudo pode ser explicado pelas Leis da Natureza, apenas ainda não conhecemos todas elas. Nada poderia estar acima das Leis da Natureza pois isso violaria suas propriedades e portanto nada é sobrenatural, ou seja, tudo é natural. Ainda que existissem fantasmas e telepatia, seriam coisas naturais.

D) Milagres

Milagres, por definição [12], são eventos que violam as leis da natureza – não fosse assim não seriam milagres, seriam eventos comuns. Porém, como se pode pensar num deus que criou leis invioláveis mas que ele próprio viola eventual e arbitrariamente? Violar as leis da natureza produziria injustiças que para serem corrigidas se deveria voltar a violar outras leis produzindo ainda mais injustiças e assim por diante numa cadeia que deveria retroceder e reiniciar Universo numa nova seqüência de eventos todos controlados pelo deus onipotente e assim livres de injustiças e imperfeições. Mas não pode ser feito ou assim já seria.

A necessidade de crença num deus que viola as leis da natureza [13] surge numa tentativa de conciliar a incontestável existência dessas leis com o desejo de acreditar num deus onipotente e capaz de realizar milagres quando precisamos de um [14]. Um deus onipotente porém corruptível e a nosso serviço.

Supondo que deus exista e tenha criado o Universo, pode-se dizer que ele era onipotente antes da criação, podia ter criado o Universo como bem entendesse; uma vez criado o Universo como é, com leis estabelecidas, nem mesmo ele pode violar essas leis – não é mais onipotente. Se esta conclusão parecer absurda, deve-se lembrar que ela parte da premissa acima (supondo que deus exista e tenha criado o Universo) – portanto, ou a conclusão é absurda ou a premissa o é.

E) Impessoalidade do Universo

Das propriedades das Leis da Natureza vê-se que essas leis são impessoais e portanto o Universo também o é; assim, se deus existe, ele só pode ser impessoal. Do ponto de vista da psicologia humana essa é uma das conclusões mais difíceis de se aceitar – o ser humano, devido às suas limitações, gosta de imaginar um deus pessoal que o ouve, o compreende, atende seus pedidos, pune, ensina, ama [13].

F) Moral

A moral é simplesmente um conjunto de regras de convivência social, um código de conduta que viabiliza a vida em sociedade, um conceito exclusivamente humano sem qualquer significado para o Universo. De fato não há nada nas Leis da Natureza que faça qualquer referência a uma moral absoluta – o Universo é amoral e se deus existe também deverá sê-lo. Neste contexto a Bíblia é obviamente uma criação humana [11].

G) Destino

Ao se deixar cair uma pedra pode-se dizer que o destino dela é atingir o solo depois de um tempo de queda. Neste sentido destino é um resultado previsível, desde que se tenha conhecimentos das Leis da Natureza envolvidas no processo. Contudo, como visto em (b) acima, o resultado previsto inicialmente pode ser alterado pela influência de outros eventos de seqüências que se cruzam ou pela ação direta iniciada pela vontade.

Essa é a única compreensão possível para destino, que não pode ser visto como uma sentença pré-escrita em algum lugar por um algum ser. De fato, imaginar-se um deus que criou o Universo e deixou todos os acontecimentos nele pré-estabelecidos faria do Universo um teatro sem qualquer propósito, onde tudo e todos são marionetes – bem e mal seriam indefinidos pois tudo seria responsabilidade do criador.

H) Demônios, Anjos et alia

Não podem existir, pois isso violaria as propriedades das Leis da Natureza. O “poder” de fazer uso das Leis da Natureza está disponível para todos, ou todos podem ou ninguém pode. Simples assim. [15]

I) Deus

A questão é: o que se entende por “deus”?
A maioria das pessoas provavelmente entende deus como sendo o criador.
Se um deus criador existe é de se esperar que ele seja inteligente, racional, lógico, coerente, em outras palavras, deus deveria obedecer as Leis da Natureza (que em princípio ele próprio teria criado), o que significaria que o deus criador estaria sujeito à sua criação. A hipótese de um deus criador, à parte do Universo, conduz a uma série de contradições (que mereceriam um texto à parte inteiramente dedicado ao assunto), levando à conclusão de que o deus criador é logicamente inviável. Mas o Universo e suas leis existem, isso é fato e não há contradições. Assim, ou nada existe que possa ser chamado de deus, ou deus seria indistingüível do Universo e suas leis – o deus de Spinoza e de Einstein [16] – contudo, essa suposição esbarra numa questão ainda a ser respondida, a do futuro do Universo [17].


Todas as conclusões tiradas aqui são simples e diretas, frutos da observação da natureza, ou seja, a partir de dados acessíveis a todos; nenhuma teoria foi criada.



“To me, the most incomprehensible thing about the universe is that it is comprehensible”Albert Einstein



Notas

[1] – Leis Naturais ou Leis da Natureza (Laws of Nature) – Não confundir com leis da ciência (Scientific Laws) nem com o chamado “Direito Natural”, que em inglês se chama ‘Natural Law‘.

[2] – Ver:
List of Laws in Science
Scientific Laws named after people

[3] – Ver:
The Laws of Nature (Stanford Encyclopedia of Philosophy)
Laws of Nature (The Internet Encyclopedia of Philosophy)
The Nature of the Laws of Nature

[4] – Seguidores de exóticas filosofias que pregam a inexistência do Universo nem precisam ler este texto pois ele (o texto) também não existe.

[5] – Ver:
Physical Law
Paul Davies (The Mind of God, 1992) e Richard Feynman (The Character of Physical Law, 1965)

[6] – Ver:
Are the Laws of Nature the Same Everywhere in the Universe?
Are the laws of nature changing with time?

[7] – Não confundir com a redação dada por nós a tais leis, esta sim sujeita a alteração e aperfeiçoamento para melhor descrever a lei em questão (para melhor descrever a realidade).

[8] – Ver também: Misticismo Quântico.

[9] – The History Channel – O Universo – Galáxias Longínquas

[10] – Ver:
Sistema Solar (Wikipedia)
Comparação do tamanho dos planetas (Apolo11.com)
Comparação do tamanho dos planetas (Colégio Web)
Planetas e estrelas em escala (Ateus.net)
How significant are we?

[11] – Ver também: A Origem do Pecado.

[12] – Ver também: Newtonian Science, Miracles, and the Laws of Nature (John Hopkins University – Faculty of Humanities and Social Sciences)

[13] – Ver também: A Criação de Deus a da Religião.

[14] – Ver também: Milagres Explicados.

[15] – Eu poderia estar ganhando dinheiro explorando a crendice alheia escrevendo livros sobre como conversar com anjos… mas não… eu tinha que ser honesto!

[16] – Certa vez Einstein declarou: “I believe in Spinoza’s God, Who reveals Himself in the lawful harmony of the world, not in a God Who concerns Himself with the fate and the doings of mankind“.

[17] – Ver também: O Fim do Mundo.



Referências

Leis da Natureza

Law of Nature (Britannica)
Law of Nature (Wikipedia)
Physical Law (scientific law) (Wikipedia)
Lei (ciências) (Wikipedia)
Natural Laws (Ars Technica)
Laws of Nature (University of Cambridge – Faculty of Philosophy)
The Laws of Nature (Committee for Skeptical Inquiry)
A Física Contemporânea e o Status Ontológico das Leis da Natureza (PUC-SP)
Newtonian Science, Miracles, and the Laws of Nature (Bond University)
O Universo – Teorias Sobre Sua Origem e Evolução (Unicamp)
O que é uma Lei da Natureza (De Rerum Natura)



14 Respostas para “As Leis da Natureza”

  1. O. Braga Disse:

    O texto é longo, e escalpelizá-lo levava algum tempo. Contudo, parte-se de um princípio:

    «As Leis da Natureza:
    1) funcionam da mesma maneira em qualquer local do universo e em qualquer tempo [6] (Princípio da Universalidade);
    2) são absolutas (nada no universo as afeta) (Princípio do Absolutismo);
    3) são estáveis (não se alteram com o tempo) [7] (Princípio da Estabilidade);
    4) são onipotentes (tudo no universo está aparentemente sujeito a elas) (Princípio da Onipotência);
    5)são objetivas (podem ser demonstradas por qualquer um, produzindo sempre os mesmos resultados sob as mesmas condições) (Princípio da Objetividade);
    »

    Há que ler sobre a Física quântica. O carácter não-absoluto do tempo e do espaço foi substituído pela ideia do caracter absoluto do espaço-tempo. Resumidamente, podemos dizer que o espaço e o tempo se encontra ligados e são intermutavéis. Porém, esta conexão entre o espaço e o tempo torna-se aparente apenas quando consideramos distâncias enormes, intervalos de tempo muito curtos ou objectos viajando a velocidades muito próximas da luz. É nestas escalas que se faz sentir a presença da gravidade. O sentido de “agora” ― aquilo que nós entendemos que acontecendo simultaneamente em vários pontos do universo ― não é o mesmo para mim e para outra pessoa, a não ser que aconteça deslocarmo-nos na mesma direcção e à mesma velocidade. O espaço e o tempo são apenas unidades diferentes para a conversão do espaço-tempo.

    Este tipo de permuta entre o espaço e o tempo ocorre também nos campos gravitacionais. Os relógios situados em campos gravitacionais muito intensos andam mais devagar que os relógios situados em campos fracos. O mesmo acontece com as distâncias, que variam conforme os campos gravitacionais: elas se reduzem na direcção dos campos gravitacionais intensos.

    Se as leis da natureza fossem exactamente conforme enunciadas, existiria um determinismo universal, coisa que Heisenberg provou matemática e cientificamente não existir, através do seu “Principio da Incerteza”, isto é, a existência de leis absolutas implica um determinismo que a ciência já provou não existir.

    O milagre nada mais é do que o resultado da truncagem (manipulação consciente) do espaço, ou do tempo ― conforme os casos. Está mais que provado pela Física teórica que a ondulação quântica existe (taquiões), e que a consciência faz parte dessa ondulação quântica, pelo que a consciência é anterior à formação da matéria não-consciente. O problema é que a nomenclatura universitária actual oculta aquilo que não lhes interessa divulgar.

  2. As leis absolutas da natureza « perspectivas Disse:

    [...] O. Braga @ 6:51 pm Henrique: por favor, se quiseres, vê se te ocorre dizer alguma coisa sobre este texto. [...]

  3. Tyrannosaurus Disse:

    Olá Orlando Braga

    Contudo, parte-se de um princípio:
    As Leis da Natureza:
    1) funcionam da mesma maneira [...]

    Na verdade o texto parte de duas premissas:
    I) o Universo existe;
    II) as Leis da Natureza existem e determinam como o Universo se comporta;

    Os princípios que citei norteiam as conclusões, de tal maneira que se algum desses princípios se mostrar falso, bastará alterar algumas frases e o texto permacerá válido. Contudo se uma das premissas for falsa o texto estaria condenado.

    O sentido de “agora” — aquilo que nós entendemos que acontecendo simultaneamente em vários pontos do universo — não é o mesmo para mim e para outra pessoa, a não ser que aconteça deslocarmo-nos na mesma direcção e à mesma velocidade. O espaço e o tempo são apenas unidades diferentes para a conversão do espaço-tempo.

    Sim, isso que você afirma são leis da natureza. Mais especificamente as estudadas por Einstein na sua Teoria da Relatividade.

    Este tipo de permuta entre o espaço e o tempo ocorre também nos campos gravitacionais. Os relógios situados em campos gravitacionais muito intensos andam mais devagar que os relógios situados em campos fracos. O mesmo acontece com as distâncias, que variam conforme os campos gravitacionais: elas se reduzem na direcção dos campos gravitacionais intensos.

    Sim, idem.

    Se as leis da natureza fossem exactamente conforme enunciadas, existiria um determinismo universal, coisa que Heisenberg provou matemática e cientificamente não existir, através do seu “Principio da Incerteza”, isto é, a existência de leis absolutas implica um determinismo que a ciência já provou não existir.

    Eu procurei tomar o cuidado de deixar o texto em aberto, no sentido de não fazer enunciados precisos pois que não conhecemos todas as leis da natureza ou seu completo funcionamento (nem eu seria tão pretensioso). Seja como for, se as leis funcionarem de maneira diferente em diferentes situações, isso também será natural e previsto no código da natureza (o qual ainda estamos desvendando). O fato é que se não fosse assim, ou seja, se o universo não funcionasse de acordo com leis definidas, ele seria aleatório e caótico.

    O Princípio da Incerteza aplica-se (supostamente) a partículas sub-atômicas, não se aplica a pedras caindo de um edifício, por exemplo. A pedra cairá com uma aceleração previsível, atingirá o solo com uma velocidade previsível após um tempo previsível e bem pode causar um traumatismo craniano no transeunte abaixo (previsivelmente). É a isso que me refiro.
    Sempre que lançarmos pedras do alto de um edifício elas cairão (se tudo permanecer como no presente). Se isto constitui ou não Determinismo é uma questão de definição.

    Está mais que provado pela Física teórica que a ondulação quântica existe (taquiões), e que a consciência faz parte dessa ondulação quântica, pelo que a consciência é anterior à formação da matéria não-consciente.

    Bem… há controvérsias.

    obrigado pela visita

    um abraço

  4. Henrique Disse:

    Saúdo o autor e ilustre assembleia.
    Desde há muito tempo que o Homem contempla o Universo e se maravilha com a ordem que nele vê, principalmente a ordem celeste, o Sol que se levanta e põe todos os dias, os ciclos da Lua e em geral os planetas e a abóbada celeste. A extraordinária regularidade que observamos leva-nos a pensar que seguem leis independentes do tempo. Observação mais detalhada mostra, por exemplo, que o Sol se levanta e põe mas a sua inclinação varia ao longo do ano. Depois constatamos que o clima já foi diferente do actual, logo algo mais varia com períodos mais longos e assim por diante. A soma dessas variações todas pode dar uma função não periódica, e é o mais provável. Isso significa que nada se repete verdadeiramente, é tudo novo. Assim sendo, não temos sequer fundamento para supor que as leis da natureza foram e serão sempre as mesmas. Segundo os entendidos (que assumem a hipótese do Big Bang), as quatro forças da natureza hoje existentes, não existiram sempre. Nem as leis que supomos que as regem. A ciência, mesmo em relação à variabilidade, procura leis que a regem, para assim dominar a natureza. Tudo bem, há um nicho da realidade que se deixa razoavelmente dominar na nossa escala de tempo e espaço, e é tudo quanto podemos afirmar.
    Depois entra a Vida, a Vontade que pode influenciar toda a previsibilidade. Ou que usa uma previsibilidade precária para fazer coisas imprevisíveis. Não conseguimos ligar as leis físicas com a Vida.
    Pessoalmente percebo a frase de Einstein com que termina este ensaio da seguinte forma: é possível que não sejamos capazes de entender o universo; as leis a que chegamos são apenas formas aproximadas de descrever o universo; ele é possivelmente inatingível pela nossa mente. No entanto podemos fazer um esforço para entender o universo, «procurar perceber o pensamento do seu criador».
    Parabéns pelo ensaio filosófico que, como tal, tem muito mérito. Faz pensar, o que é bom.

  5. Tyrannosaurus Disse:

    Olá Henrique

    A extraordinária regularidade que observamos leva-nos a pensar que seguem leis independentes do tempo. Observação mais detalhada mostra, por exemplo, que o Sol se levanta e põe mas a sua inclinação varia ao longo do ano.

    Há um equívoco aqui. A sua afirmação é correta e ela demonstra que nós não conhecemos todas as leis da natureza e seu completo funcionamento; não significa, no entanto, que o sol não está se comportanto de acordo com leis. Nosso conhecimento das leis é limitado, mas elas existem. Se não existissem o sol nem estaria onde está, a terra não estaria na sua órbita, estaria talvez vagando aleatoriamente como uma partícula sub-atômica, de acordo com o decantado Princípio da Incerteza. Ou melhor, a terra nem existiria.

    Depois constatamos que o clima já foi diferente do actual, logo algo mais varia com períodos mais longos e assim por diante.

    Verdade. No campo da Meteorologia particularmente nosso conhecimento ainda é extremamente inexato.

    A soma dessas variações todas pode dar uma função não periódica, e é o mais provável. Isso significa que nada se repete verdadeiramente, é tudo novo.

    Sim, é possível. E mais uma vez isso significa que não conhecemos todas as leis, não significa que os eventos não seguem leis. A falta de periodicidade bem pode ser uma lei da natureza! Vamos dar um pomposo nome a esse princípio: “Princípio da Não-Periodicidade”.

    Assim sendo, não temos sequer fundamento para supor que as leis da natureza foram e serão sempre as mesmas.

    Verdade. Essa ressalva consta do texto, inclusive com links para textos que discutem prováveis alterações nas leis da natureza (ver nota [6]). Se, de fato, as leis da natureza se alteram no espaço e no tempo, mais uma vez, isso significa que que isso também é uma lei da natureza. Se isso for comprovado, chamemos de “Mutabilidade das Leis da Natureza” – essa também uma lei.
    É bom lembrar mais uma vez que “Lei” é uma descrição da realidade. A redação que nós damos às leis podem ser incompletas e falhas. A natureza funciona de uma determinada maneira, nós tentamos descobrir qual é essa maneira porém, no atual estágio de desenvolvimento, ainda não temos conhecimento integral desse funcionamento. A falha está no nosso entendimento, mas as leis existem.

    Segundo os entendidos (que assumem a hipótese do Big Bang), as quatro forças da natureza hoje existentes, não existiram sempre.

    Sim, é possível, e em nenhum momento afirmei o contrário. Veja o item (d): “No momento seguinte ao Big Bang formaram-se as Leis Naturais, uma das primeiras é a Gravidade [9], e elas continuam valendo…”
    No meu texto eu tentei avaliar o que acontece desde que o Universo (este no qual vivemos, pelo menos) existe, supostamente desde o Big Bang. O que havia antes e como as coisas eram antes eu não faço a menor idéia.

    Nem as leis que supomos que as regem.

    Exatamente! Nossas suposições é que podem estar erradas, mas leis existem e os eventos seguem essas leis.

    Tudo bem, há um nicho da realidade que se deixa razoavelmente dominar na nossa escala de tempo e espaço, e é tudo quanto podemos afirmar.

    É possível, mas acho prematuro fazer tal afirmação, nosso conhecimento é que é limitado (até o momento). Conforme nosso conhecimento cresce (talvez assintoticamente jamais atingindo a totalidade) também crescerá a previsibilidade do universo.

    Depois entra a Vida, a Vontade que pode influenciar toda a previsibilidade.

    Sim, foi justamente o que eu afirmei no item (b):
    “Em princípio tudo se desenrola pela lei da causalidade (causa e efeito), mas a complexa interação de eventos e influência destes entre si produz entrelaçamentos de cadeias de eventos numa uma sucessão pseudo-aleatória (que nos dá a impressão de ser aleatória) e que pode ser alterada pela vontade. A vontade pode gerar novos eventos e alterar a seqüência dos eventos já em curso. [14]“

    Pessoalmente percebo a frase de Einstein com que termina este ensaio da seguinte forma: é possível que não sejamos capazes de entender o universo; as leis a que chegamos são apenas formas aproximadas de descrever o universo; ele é possivelmente inatingível pela nossa mente. No entanto podemos fazer um esforço para entender o universo, «procurar perceber o pensamento do seu criador

    Eu entendo a frase da seguinte maneira: o Universo é compreensível (e conseqüentemente, previsível), embora nós ainda não o tenhamos desvendado totalmente, longe disso; porém o que á fantástico é justamente que o Universo obedeça leis. Afinal de onde vieram essas leis??! Essa é a parte incompreensível.

    Parabéns pelo ensaio filosófico

    Obrigado
    pela visita e comentário

    um abraço

  6. Julia Disse:

    excelente post, nao pude deixar de me remeter inumeras vezes à critica da razao pura de kant… é impressionante como ele ainda conseguia ser ‘religioso’.

  7. Tyrannosaurus Disse:

    Obrigado Julia

    Uma das maiores batalhas é aquela entre a razão e o medo…

    abraço :)

  8. Thomas Huxley não tinha razão (7) « perspectivas Disse:

    [...] é exclusivamente aplicado ao microcosmos ― e nunca aplicável no macrocosmos conforme defendido aqui –, está desfasada, porque a análise empírica do macrocosmos constitui uma visão parcial [...]

  9. Sizenando Disse:

    1+1=2 é uma verdade absoluta, acreditar noutro resultado não afeta a realidade.

    Na matemática e na Lógica pode até ser.

    Mandou, então, a multidão assentar-se na relva, tomou os cinco pães e os dois peixes e, elevando os olhos ao céu, abençoou-os. Partindo em seguida os pães, deu-os aos seus discípulos, que os distribuíram ao povo. Todos comeram e ficaram fartos, e, dos pedaços que sobraram, recolheram doze cestos cheios.

    O Senhor do Céu e da terra não obedece a lógica, porque Ele simplesmente é o Senhor a faz como bem entende.

    Neste caso 5 + 2 = muito mais do que sete.

    Inesplicável não ?

    Hitler não só se estatelou no chão como deu cabo de sua própria vida insignificante.
    Jesus, porém, foi visto pela ultima vez subindo ao céu, sem a ajuda de nenhum equipamento criado pelo homem, até que desapareceu entre as nuvens, mas isso não quer dizer que Ele foi embora, só que não foi mais visto.

    até logo.

  10. Tyrannosaurus Disse:

    Olá, Sizenando

    O Senhor do Céu e da terra não obedece a lógica, porque Ele simplesmente é o Senhor a faz como bem entende.

    Não vou pedir provas pois sei que você não pode provar o que afirma, ou já teria incluido essas provas no seu comentário.

    Jesus, porém, foi visto pela ultima vez subindo ao céu, sem a ajuda de nenhum equipamento criado pelo homem, até que desapareceu entre as nuvens

    Não vou pedir provas pois sei que você não pode provar o que afirma, ou já teria incluido essas provas no seu comentário.

    obrigado pela participação

  11. Ricardo Disse:

    Achei o ensaio muito interessante, e ao mesmo tempo pretencioso!

  12. Tyrannosaurus Disse:

    Obrigado, Ricardo.

  13. Vicente, espedito Disse:

    Excelente ensaio. e comentários.
    Estou fazendo algo nesse sentido. Gostaria de saber se posso usar partes do ensaio e comentários para enriquecer o desenvolvimento do meu trrabalho.
    Por enquanto agradeço retorno.
    Saudações À Natureza.
    EVS.SBC 17/09/09

  14. Tyrannosaurus Disse:

    Olá Espedito

    Sim, mencionando a fonte pode-se usar partes do texto.
    E, se quiser, pode voltar e postar um link para seu trabalho.
    Obrigado
    abraço

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