Porque não negociar com criminosos

Se um terrorista viesse me perguntar se acho uma boa idéia seqüestrar pessoas na Rússia com o objetivo de forçar o governo a atender reivindicações, eu responderia que é uma péssima idéia. Nos últimos dois acontecimentos do gênero por lá (Escola de Beslam e Teatro de Moscou) todos os terroristas acabaram mortos, sem conseguir o que queriam, mesmo com a morte de muitos reféns. E nos Estados Unidos? Eu também desaconselharia, os estadunidenses, embora mais cuidadosos com reféns, também não negociam com criminosos.

Alemanha? Também não. Até no Peru tivemos um bom exemplo em 1997 de como lidar com terroristas. E no Brasil? Ah, no Brasil dará certo! Se querem fazer isso o Brasil é o lugar ideal. Aqui as autoridades cedem a quaisquer exigências de criminosos e a mídia e a opinião pública aplaudem comovidas, sem se dar conta que por causa disso ninguem está seguro, e esse tipo de artimanha sempre acontecerá simplesmente por que funciona! [1] Recentemente Lula, demonstrando fraqueza e covardia, ofereceu ajuda em negociação da Colômbia com as Farc enquanto que o presidente Uribe defende ação militar para resgatar reféns [2]. A Funai negocia e índios libertam reféns em Rondônia, sinalizando aos índios que podem repetir o truque sempre que quiserem pois o governo cederá.

Os que ainda não se convenceram podem estar se perguntando se eu manteria a minha opinião caso um criminoso estivesse apontando uma arma para a cabeça de meu filho. O que é certo, é certo, e continuará sendo certo mesmo que coloquem uma arma na cabeça de um familiar meu para me obrigar a dizer o contrário.
Meu filho não será seqüestrado amanhã, nem o seu, se hoje o governo não negociar com criminosos, pois os criminosos terão certeza de que não conseguirão o que querem. Ceder uma vez significa nunca mais ter paz.
E ademais, esse tipo de resolução não está na mão de indivíduos mas de governos, e é somente para governos e povos fortes, corajosos e com senso de correção.


[1] – Em 14/01/2008 as FARC seqüestraram mais seis pessoas apenas quatro dias após terem libertado duas reféns comprovando que os seqüestros não vão terminar pois os criminosos estão conseguindo seus objetivos com essa técnica.

[2] – A despeito das pressões internacionais para negociar com as FARC, o presidente da Colômbia Alvaro Uribe vem mostrando como se lida com terroristas: com força bruta (caso Reyes) e estratégia (caso Ingrid Betancourt). [Editado em 04/07/2008]

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