A Moderna Arte dos Elefantes

“arte moderna”Há alguns anos o Fantástico mostrou um quadro pintado por um elefante a alguns estudantes de artes plásticas e pediu que dessem sua opinião sobre a “obra”. Após várias elucubrações sobre as intenções do “artista” e análises psicodélicas sobre o seu estilo “ultra-modernista abstrato”, daquelas que só artistas entendem, o repórter revelou quem era o autor do quadro, para surpresa dos estudantes e deleite dos telespectadores com a cara de bobo daqueles. Eu, que não sou artista e não gosto de arte moderna, num momento de inspiração, criei um método quase infalível para identificar verdadeiras obras de arte. Consiste no seguinte: observo a obra em questão e me pergunto “eu consigo fazer igual?”. Se a resposta for afirmativa aquilo não é arte. O método não é patenteado e você pode usar sem me pagar royalties, evitando assim ‘pagar um mico’ como o dos estudantes. É quase infalível pois só falha se você for um verdadeiro artista ao estilo de Leonardo da Vinci.
Está em dúvida? Ansioso para testar o método? Faça o teste Quem pintou o quadro… um elefante, um artista ou uma criança?






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3 respostas para A Moderna Arte dos Elefantes

  1. Bom, analisar obras de arte pelo prisma acadêmico é mesmo um perigo. A crítica especializada faz isso e, não raramente, também comete gafes incríveis. Isso porque ‘rotular’ a arte é sempre perigoso. A arte é viva e mutável. Arte não é algo estático. Arte é uma mensagem. Como tal, metade de seu conteúdo reside em quem recebe a mensagem. Se ouço uma canção em Húngaro, posso apenas apreciar a mensagem melódica, já que não entendo esse idioma. Perco assim a mensagem literária. Assim funciona com toda arte. Então, sem desmerecer seu método (que também me parece coerente), prefiro usar outro método: ao apreciar uma arte, pergunto-me… ‘isso me faz sentir bem?’, ou ainda, ‘isso me leva à reflexão?’. Se sim, em quaisquer dos casos, então considero que seja arte. Agora, se não me diz nada, então pra mim não é arte. Mas isso pode ser apenas fruto das minhas limitações. Daí que, para o outro (melhor capacitado que eu para entender aquela obra) talvez já seja arte. Um abraço!

  2. “A arte é a expressão pura da alma”. Com este pensamento (meu) desejo externar que arte é a pureza da comunicação, e se esta comunicação não é universalmente contemplada, então, mesmo continuando a ser (por alguns) considerado como “arte”, é a expressão frustrante, sem fundamento técnico, ou inconveniente de quem a realizou. Quando digo “universalmente” quero afirmar de que diferentemente da “arte literária”, a arte plástica não precisa ter uma identidade linguística a comunicar. Ela comunica por si própria independentemente da nacionalidade ou etnia do contemplador. Isto é: a arte pura e verdadeira (independente de sua classificação) é aquela que comunica a alma de seu autor, incondicionalmente, e universal, para (em direção a) que o espectador possa ser sensibilizado e entenda o conteudo da mensagem plástica. Este pensamento corrobora ao que se possa classificar como “arte erudita (ou acadêmica(??))”, na mesma intensidade que a “arte de vanguarda”(contemporânea(??)), e principalmente a “arte conceitual” quando esta é fundamentada no vero conceito da comunicação plástica e não mero “êxtase do prazer momentâneo e individualista”.
    Organizado este pensamento, vejo que a experiência do elefante, é um teste do “absurdo interpretativo”daqueles que querem entender a arte com vistas apenas ao que está expresso no plano da tela, sem se aprofundar no que está “atrás da tela” (história, artista, conceito, expresão). Infelizmente é notório como algumas pessoas agem desta forma para “não serem considerados ignorantes esem gosto’, no entanto, ao tecerem seus comentários infundados, assinam seu próprio “atestado de burrice”. Analizar qualquer obra, mesmo que “acadêmica”ou “contemporânea” (para generalizar), sem conhecer o mínimo de história da arte, de teoria da cor, da filosofia da comunicação plástica, é o mesmo que “tomar um vinho azedo”e afirmar que “degusta um buquet de safra especial”…

  3. Tyrannosaurus disse:

    Alguns de meus leitores evidentemente entendem muito mais de arte do que eu.
    Obrigado André e Walter pela colaboração.
    Mas cabe a pergunta: sabendo-se que a maioria das pessoas comuns não entende e não gosta da arte chamada moderna, afinal para quem os artistas fazem sua arte, para especialistas ou para pessoas comuns?

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