Preconceito e Gosto Pessoal

De gustibus non est disputandumNa Europa acontecem com certa freqüência ataques contra negros (ou pessoas de pele escura como mulatos, indianos, árabes), ciganos e outros. No Brasil tais ataques são bem mais raros, atribuídos normalmente a algum grupo de skinheads, nem de longe constituindo prática comum entre a população. A quase inexistência de violência racial por aqui aparentemente faz com que muitos pensem que declarar seu desapreço por alguem constitui preconceito ou racismo. Seria extremamente útil para a sociedade desfazer-se essa confusão.
Por um lado, ataques morais ou físicos a qualquer pessoa já estão tipificados no código penal, não importando a cor da pele, sexo, idade ou qualquer outra característica. Não há necessidade de leis específicas para este ou aquele grupo pois seriam redundantes.

Por outro lado, expressões de apreço ou desapreço são garantidas pela constituição como liberdade de expressão. Você, leitor, tem todo o direito de gostar ou não de mim, por qualquer motivo, e tem o direito de expressar livremente sua opinião. Ser educado e gentil com os sentimentos dos outros é recomendável mas não é uma questão legal, e, de qualquer maneira, opiniões podem ser expressas de maneira diplomática. Jamais, porém, justifica-se o cerceamento da liberdade de expressão, pois se eu tentasse calá-lo, leitor, invocando alguma lei, amanhã poderia ser eu silenciado pela mesma lei. É também importante notar-se que criar leis que impeçam as pessoas de expressar livremente sua opinião não as fará mudar de opinião, apenas as calará. O que queremos para nós, uma sociedade justa ou apenas hipócrita?

Numa reportagem do Fantástico de 06 de janeiro de 2008 a diretora geral do Fashion Rio Eloysa Simão declarou: “O preconceito racial existe. A gente não pode negá-lo e ele existe em todas as áreas. Na moda também. Já encontrei alguns estilistas – muito poucos, graças a Deus – que não gostam de modelos negros“. Pode ser que ela tenha se expressado mal, mas caso contrário, os tais estilistas têm, sim, o direito de gostar ou não destes ou daqueles. Assim como têm o direito de dar preferência, por exemplo, a modelos gordinhas por esta ou aquela razão. Ou será que o hipotético Sindicato das Modelos Magricelas deveria processar tais estilistas hipotéticos por preconceito? Se for esse o caso, determinados grupos musicais / carnavalescos / culturais que permitem somente o ingresso de negros em seus quadros também deveriam ser processados. Muitas empresas que não contratam pessoas acima de 40 anos também. A lista é muito maior do que imaginam os politicamente corretos e a vida em sociedade seria insuportável com essa intolerância à liberdade de expressão e com excesso de intromissão nas estratégias das empresas. Seria ótimo se os confusos pudessem fazer um estágio em outros países para aprender o que é racismo e preconceito para, ao voltar ao Brasil, poderem dizer “racismo por aqui é raríssimo; liberdade de expressão não é preconceito”.

Vamos separar as coisas, por favor: Atacar física ou moralmente, não! Liberdade de expressão, sim!

De gustibus non est disputandum.

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