Aprendendo com a África

AfricaPor razões históricas e políticas os países africanos não são divididos de acordo com a distribuição geográfica das suas etnias, por isso vários dos seus países são compostos por várias etnias e também é comum que várias etnias se distribuam por mais de um país. Teoricamente isso não seria um problema, porém basta que uma etnia se sinta perseguida, desvalorizada, discriminada, injustiçada, mal representada no governo, para que o caso se transforme numa guerra étnica com matanças indiscriminadas por parte de todos os grupos envolvidos. Como exemplo podemos citar a região de Darfur no Sudão, Ruanda, e mais recentemente no Quênia, um país que até pouco tempo era um exemplo na África, mas o que começou como uma disputa política está se transformando em mais uma “limpeza étnica”.*1

BrasilO sentimento de identificação com uma determinada etnia e a não identificação com as outras, ou seja, a própria existência de diversas etnias está no âmago do problema. Na África os colonizadores aplicaram a tática de dividir para conquistar, essa técnica funciona bem porque a divisão enfraquece. Não tenho a menor pretensão de querer resolver esse complicado problema na África, mas nós, brasileiros, podemos aprender algo com isso. A miscigenação das “raças”, o famoso “melting pot”, funde todas as “raças”, todas as “etnias”, formando uma nova “liga”. Esse deve ser o caminho para o Brasil, a formação e consolidação da sociedade brasileira, homogênea na diversidade, a união sem a eliminação do diferente, para que todos se identifiquem com ela e não com sub-grupos.

Divide and ConquerNo caminho contrário a essa unificação seguem as pessoas e organizações que pregam as diferenças e o orgulho destas: “dia da consciência negra” traz implícita a declaração “não somos brancos, somos negros, tenhamos orgulho, somos diferentes, etc”. Assim como “afro-descendente” é uma expressão que coloca a ascendência africana como sendo mais importante que a presente nacionalidade de uma pessoa. Os grupos e organizações que existem especificamente para os negros, ou quaisquer outros grupos isoladamente, frisam as diferenças e são tão perigosos quanto grupos neo-nazistas, que no final das contas, fazem o mesmo.
Os que se orgulham de sua ascendência africana deveriam ser os primeiros a exortar que a lição da África seja um exemplo para nós – se dividir enfraquece, unir fortalece.
Ao invés de bater no peito e gritar com orgulho “sou negro” ou “sou branco” ou “sou isso ou aquilo” deveriam reconhecer a tolice e o perigo desses gestos para dizer apenas “sou brasileiro”, não por pieguice mas por responsabilidade. É isso que o governo, certas organizações e as pessoas com alguma consciência deveriam fomentar.

(A menos que… seus objetivos sejam justamente incitar a separação e o ódio. Veja por exemplo a declaração do coordenador geral da Unegro no post Dia da Consciência Negra)


*1 – Existem exemplos também em outros países: Rússia, Sérvia, Iraque, Israel. Quem quiser pode fazer uma busca nas notícias do jornal O Estado de S.Paulo.
Conflitos étnicos começam a ser registrados também na Guiana [10/03/2008].


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