Ateísmo é Crença?

atheism

Ou… Descrença é Crença?
Vemos com freqüência a afirmação de que o ateísmo é uma crença e também de que as pessoas “crêem na ciência” da mesma maneira que os crentes crêem na sua religião. O erro é tão comum, principalmente na blogosfera (até mesmo entre os céticos), que o assunto merece um tratamento particular.

Podemos perceber intuitivamente que a colocação é absurda se pensarmos da seguinte maneira: se o ateísmo é uma crença então “não acreditar em Papai Noel também é uma crença”.

Esse mal-entendido é provavelmente causado por um conjunto de razões:

1) o múltiplo sentido do verbo “acreditar” que leva a uma incompreensão do que é crença;
2) uma má compreensão do que é a ciência e como funciona o método científico;
3) dificuldade de compreender a ausência de crenças;
4) desejo de equiparar crentes e descrentes como tentativa de anular as críticas destes àqueles;

Comecemos pelo dicionário, vejamos o que diz o Aurélio

Semanticamente

descrença 1

[De des- + crença.] (prefixo des- indica ausência, falta)

1.Falta ou perda de crença; incredulidade.

crer

Verbo transitivo direto.

1.Ter por certo; dar como verdadeiro; acreditar:
“Crê apenas aquilo que a razão explica.”
2.Ter confiança em; aceitar como verdadeiras as palavras ou afirmações de:

3.Julgar, presumir, supor:
“Há cerca de um mês que não o vejo: creio que se mudou.”

Verbo transobjetivo.

4.Julgar, reputar, supor:

Verbo transitivo indireto.

5.Ter confiança; ter fé; dar crédito:

“Creio em ti, Deus” (Almeida Garrett, Folhas Caídas, p. 69)
“Creio na minha Pátria e no meu povo.” (Teixeira de Pascoais, D. Carlos, p. 18)
“O crente evangélico não teme o Purgatório, porque nele não crê” (L. Lavenère, O Padre Cornélio, p. 169).

Verbo intransitivo.

6.Ter fé, ter crença (sobretudo religiosa).

 

(As definições acima foram retiradas da versão online do Aurélio porém numa forma resumida, sem a maioria dos exemplos.)

A acepção nº 1 pode ser usada em sentido religioso ou não. A acepção nº 5 é mais usada no sentido religioso e a nº 6 é sua versão intransitiva. A acepção nº 3 aumenta a confusão permitindo que “crer” também signifique “supor”. Pelos exemplos vê-se que a mesma acepção do verbo é usada tanto para se dizer “creio em deus” como “creio na pátria“. Filosoficamente são coisas diferentes, envolvem posturas, intenções e estados mentais diferentes. Daí a confusão toda.

O dicionário sozinho não é suficiente para esclarecer a questão que, vê-se, ultrapassa os limites da semântica.
Analizemos então por outro ângulo…

Filosoficamente

Em princípio não é possível provar que algo não existe; podemos, no máximo, supor com algum grau de segurança que algo não existe se sua existência violar as leis naturais conhecidas. Porém, é possível provar-se que algo existe por isso o ônus da prova recai sobre quem afirma que algo existe. Portanto, manda a prudência que se permaneça neutro, aguardando provas. Se não fosse assim estaríamos todos acreditando na existência de todas as entidades mitológicas já inventadas e qualquer coisa que fosse dita seria tomada como verdade.
Por exemplo, supõe-se que o Pé-Grande não exista, que seja uma entidade mitológica. É possível, embora pouco provável, que exista um animal ainda desconhecido que tenha dado origem ao mito. A postura mais séria, comedida e responsável é presumir que tal criatura não exista pois não existem provas convincentes da sua existência.

O que é Crença?

Crer, no sentido utilizado pelos que crêem em religiões, significa “aceitar alguma coisa como sendo verdade mesmo sem prova nenhuma”. Tanto é assim que crentes se orgulham de crer sem provas, chamam isso “fé” 2. Crer é desejar que algo seja verdade. O crente deseja tão intensamente que algo seja verdade que passa a fingir que aquilo em que acredita de fato é verdade. Cria fantasias e vive nelas. Por isso o crente não está aberto a provas e rejeita qualquer argumentação contrária ao que deseja que seja verdade.
Por ter necessidade de acreditar o crente permanece teimosamente nas suas crenças e rejeita contestações e mesmo fatos que comprovam que está errado. Essa postura o leva a imaginar que a teimosia do descrente em exigir provas concretas para tudo também tem origem numa crença! Ou seja, pensa “Sou teimoso porque tenho fé. O descrente é teimoso, logo, tem fé”. O erro do raciocínio está no fato de que a fé não é a única causa possível para a teimosia 3.

Se o crente deseja que algo seja verdade é provavelmente porque tem necessidade disso e se tem necessidade é provavelmente porque não consegue aceitar um mundo que não corresponde a suas expectativas. Aparentemente o crente precisa da crença por não conseguir aceitar a realidade como ela é. Existe também outro fator: a inércia. A grande maioria foi criada assim então permanece assim – não há razão para mudar.

O descrente não deseja intensamente que o Pé-Grande não exista, não tem necessidade psicológica de que ele não exista, não precisa que se verifique a sua inexistência para ser feliz, por isso não se verifica uma situação semelhante à anterior; é totalmente incorreto dizer-se que “acreditamos na inexistência de tal criatura” e que, portanto, a postura cética é uma crença – pelo menos enquanto se usa o verbo “acreditar” no mesmo sentido que o religioso. A postura cética é uma postura de quem aguarda provas irrefutáveis e que, agindo assim, defende a verdade.

É como se, incapaz de aceitar a morte como um fato, uma pessoa passasse a negá-la, afirmando que viverá para sempre. Este exemplo provavelmente não se verifica na prática pois é facilmente constatável que a morte é um fato. Alguém que afirmasse que a morte não ocorre seria chamado de louco. Contudo, o exemplo não é totalmente irreal, pois diante da impossibilidade de negar a morte algumas pessoas contornaram o problema inventando uma vida após a morte. Conseguem assim negar a morte. (O ser humano é mestre em distorcer fatos e definições para que se adeqüem a seus desejos!)
É o medo de morrer, o medo do desaparecimento total, que estimula nossa mente a criar fantasias 4 do que poderia ser e, num passo seguinte, passar a ver esse desejo como verdade.
Esse auto-ilusionismo funciona melhor ainda se essa pessoa estiver junto de outras que compartilham os mesmos desejos; tudo fica mais fácil e um dá apoio ao outro, quando um fraquejar na auto-enganação os outros podem ajudá-lo a voltar “para o caminho da fé”. Pois isso é a fé: o desejo intenso de que algo seja verdade. Quanto mais uma pessoa consegue acreditar nas fantasias que criou maior é a sua fé.
Para o crente, o melhor dos mundos seria que todas as pessoas tivessem as mesmas fantasias pois tudo seria mais fácil – uma histeria coletiva. Nesse contexto a existência de pessoas que rejeitam as fantasias do grupo constituem uma ameaça. É provável que muitos crentes, no fundo, saibam que se enganam e a existência de descrentes os lembra disso. Os descrentes podem levar alguns crentes a pensar, se pensarem verão que suas crenças não passam de fantasia; os descrentes os acordam do sonho e os chamam à realidade. “São uma ameaça. Convertê-los é preciso. Combatê-los, se necessário.” Os combatentes, claro, são vistos como heróis.

Crer é fazer das suas fantasias a sua realidade particular. O crente vive num mundo idealizado por escolha própria, tem profunda necessidade disso e, talvez por isso, tenha dificuldade de entender um mundo sem crenças – veja-se por exemplo esta frase colhida de um blog: “Mas não consigo conceber alguém que não tenha uma própria “crença” acerca de uma “força superior”“. Se o crente não entende a ausência de crenças pensará que a descrença é também uma crença. Por outro lado, supor a existência de um deus é diferente de crer num deus, assim como é possível supor-se a existência de um animal que tenha dado origem ao mito do Pé-Grande mas isso não é fé religiosa, é suposição.

Vivendo no mundo das suas queridas e acalentadas fantasias o crente se sente seguro, protegido e feliz. E daí vem sua conclusão de que os que não vivem no mundo de fantasias são infelizes. Mas aqui já entramos no terreno do subjetivo. É possível determinar se algo é verdade ou não mas não se pode determinar se é melhor viver conhecendo a verdade ou viver na ilusão. Isso já é uma questão de preferência pessoal 5.

Aceitar que se vive num mundo de fantasias é algo extremamente doloroso para os crentes pois implica em aceitar que seus pais mentiram, e que eles próprios mentiram a seus filhos, e que todos os seus entes queridos desaparecerão e também eles, e que portanto jamais se encontrarão de novo. A idéia do desaparecimento total e suas implicações é horrível, concordo. Mas se o desaparecimento total for um fato, viver num mundo de fantasia não irá mudar a realidade.

 

Resumo

Crente Descrente
Deseja que sua idealização seja verdade Deseja encontrar a verdade
Aceita afirmações sem provas Exige provas concretas
Idealiza o mundo a priori Descobre o mundo e o aceita como ele é; permanece neutro enquanto isso não ocorre
Não aceita contestações As contestações o ajudam a descobrir a verdade
Rejeita fatos que comprovam que está errado Fatos e provas levam à verdade

 

_

 

O quadro acima resume as diferenças na postura de crentes e descrentes deixando mais clara a diferença entre “crer” e “descrer“.

 

Conclusão

“Descrença” significa “ausência de crenças” e não “crença na inexistência do objeto da crença”. Afirmar que o ateísmo é uma crença é um argumento que se baseia na ambiguidade da palavra “crer” e é, portanto, um erro de raciocínio – um equívoco (falácia da ambiguidade).





“I maintain there is much more wonder in science than in pseudoscience. And in addition, to whatever measure this term has any meaning, science has the additional virtue, and it is not an inconsiderable one, of being true.”
Carl Sagan





Notas

1) Evitei o uso da palavra “ateísmo” na maior parte do texto por ser este um caso particular de “descrença”.

2) “O que é fé? Fé é ter a possibilidade de crer naquilo que você não vê, porque se você vê deixou de ser fé. Por isso que eu às vezes questiono muito alguns modelos de religião onde tudo é muito explicado, tudo é muito claro, tudo é muito limpo, tudo é muito justificado. Não, a fé ela nasce justamente daquilo que a gente não consegue ver.”Pe. Fábio de Melo.
“Em Hebreus capítulo 11 diz que a fé é o fundamento da esperança, é uma certeza a respeito do que não se vê.”Pe. Marcelo Rossi.

Veja também um curioso argumento circular:

“Pela fé cremos ser verdadeiro o que nos foi revelado por Deus e o cremos não pela intrínseca verdade das coisas, percebida pela luz natural da razão, mas pela autoridade do mesmo Deus que se revela que não pode se enganar, nem nos enganar.”Pe. Joãozinho (queemm?!) – Mas como sabe que aquilo em que crê pela fé foi de fato revelado por deus? – Pela fé!

3) Para quem gosta de Cálculo Sentencial:
F → T
T
logo F
Trata-se da bem conhecida falácia da “Afirmação do Conseqüente”. Mais detalhes na minha Apostila de Cálculo Sentencial e Cálculo de Predicados (é grátis!😉 ).

4) As causas da religião são um pouco mais complexas e são analisadas aqui.

5) Cabe aqui porém uma discussão ética – temos o direito viver de acordo com nossas próprias convicções; mas até que ponto podemos impô-las às crianças?

 


Textos Relacionados

The problems with beliefs
Atheism is Not a Religion, Ideology, Belief System, Philosophy (About.com)
Atheism Myths: Is Atheism a Religion? (About.com)
Is atheism a religion? (Answers.com)
Is atheism a religion? (Examiner.com)
Is atheism a religion? (AskTheAtheists.com)
Is Atheism a Religion? (Skeptic’s Dictionary)
Is Atheism a Religion? (The Rational Response Squad)
Is Atheism a Belief? (Atheist Foundation)
Atheism is a belief (FreeThoughtpedia)
Is Atheism a Belief System?
Religion of Atheism

 








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55 respostas para Ateísmo é Crença?

  1. Carlão disse:

    Em resposta..

    Em resumo, trata-se do argumento do “design inteligente” […]

    Não se trata de Design Inteligente ID ou theistic evolution caso me fosse apresentada evidencias científicas de evolução.. de acordo com os argumentos até aqui expostos as premissas são:
    Que o universo surgiu do nada há aproximadamente a 14 bilhões de anos, apesar das IMPROBABILIDADES incomensuráveis, as propriedades deste universo parecem de alguma forma ajustadas para “geração expontânea” ou possibilidade da vida. Embora os mecanismos exatos da origem da vida na Terra permaneçam desconhecidos completamente da ciência, uma vez que a vida surgiu de alguma forma, o processo de algum tipo de evolução ou de seleção natural permitiu, embora da existência de um código genético que torna cada criatura única em termo de espécie, o desenvolvimento de uma DIVERSIDADE biológica e de uma complexidade extremamente complexa durante espaço de tempo muito vastos. Tão logo surgiu essa existência um tipo de “evolução” seguiu seu rumo não precisando de nenhuma intervenção SOBRENATURAL a qual os humanos fazem parte desse processo partilhando de um ancestral comum vindo de algum desconhecido e improvável mas muito próximo dos símios. Mesmo assim os humanos, surgidos do NADA no universo onde existem bilhões de estrelas e galáxias são EXCLUSIVAMENTE dotados de características que desafiam qualquer explicação científica ou carece das explicações evolucionistas que indiquem de onde surgiu na nossa natureza humana a existência de um padrão moral, ou LEI MORAL (conhecimento do certo e do errado) e a necessidade intrínseca em todas as culturas e nações da terra da necessidade e a busca de um ser superior ATEMPORAL, sem localização no tempo e no espaço, do qual não precede ou sucede, o qual tudo pra ele está simultaneamente presente.
    Diante disso tudo o DEUS que estou falando, DEUS não é brasileiro ou hebreu, o DEUS revelado pela bíblia (uma série de escritos antigos, tido como sagrado, escrito em épocas e distante em séculos do qual se completa em uma única mensagem ao ser humano) implica em um único SER tricotomizado em PAI, FILHO e ESPIRITO SANTO que conhece todas as coisas e cuja natureza é elevada demais ao conhecimento e ao pensamento humano.

    2) O fato de não sabermos alguma coisa não prova a existência de nada. Trata-se de um argumento, não uma prova.

    Realmente o FATO é que não sabemos, nem eu nem você! O Aionios não pertence ao Aiom.. Ele DEUS não tem origem nem começo, nunca houve um tempo em que ELE não existisse, É impossível tanto pra mim quanto a vc T. Rex ilustrar isso porque não há nada! Ele é indescritível, entretanto isso não significa que DEUS NÃO EXISTE. Ele preenche tudo, e não veio de nenhum lugar, sempre esteve presente, portanto não há nenhum lugar de onde tivesse existido. A realidade última é que DEUS é incriado, eu e você não, somos de alguma forma seres finitos nesta existência, DEUS está além da matéria e da energia e além de tudo que vemos, mais fundamental do que qualquer coisa no cosmos é o que tem sido e sempre o será. A diferença é que DEUS sendo DEUS sua substancia é absoluta e completamente diferente da nossa ou de qualquer outra coisa!

    3) Ainda que esse argumento provasse a existência de um deus, você ainda teria muito trabalho para provar que esse deus, criador do universo, é o deus hebreu. […] procure descobrir qual é esse deus para que você possa venerar o deus certo.

    Quanto seu argumento da dificuldade em provar a existência de DEUS voltamos no início quando escrevi pra você que “Um Deus que se pode “provar a existencia”… é apenas um “deus” fraco, psicológico, deus de barro, fruto da busca esquizofrênica do homem a reduzir o absurdo de sua existência.
    Deus não é provavel por nenhuma lógica. Na realidade Deus não existe. Eu existo. Vc existe. Mas Deus… não. Se Ele existisse Ele seria verificável. Deus não existe. Deus é. E é absurdo. É contra toda logica provar Deus. Assim como é ilógico provar que Ele não existe. Sendo assim acho que já passamos pra outra fase, correto?
    Tentar provar que DEUS é o DEUS hebreu é a mesma coisa que dizer que DEUS é de barro, o DEUS revelado “hebreu” é o mesmo DEUS único e em nenhum lugar bíblico se você buscar com imparcialidade de uma crença vc vai ver DEUS querendo provar que existe! Por isso é um DEUS ilógico sim, porque embora absurdo ele simplesmente É, e diz EU SOU e nós não somos. Nós nem nos conhecemos enquanto ser humano não entendemos nada sobre nada.
    T. Rex somos LIMITADOS por isso que DEUS transcende todos limites humanos!

    4) A hipótese do design inteligente é uma “inferência da melhor explicação” […]
    A tudo o que existe chamamos de Universo. Vamos mudar o nome disso para: Deus. E voilà, habemus deum! […] ou seja, um deus corrupto como políticos brasileiros do toma-lá-dá-cá.

    Concordo em gênero número e grau que o DEUS dos crentes atuais está muito distorcido do apresentado e revelado e encarnado. DEUS dos evangelhos é muito diferente do que alguns lugares chamados IGREJA hoje pregam.

    […] estou apenas mostrando que não existe apenas uma resposta possível para a existência do universo.

    Sim quais são as outras respostas pelo menos INTELIGENTES ou PLAUSÍVEIS?
    Não tenho a sua fé ou confiança que viemos do nada e voltaremos para o nada, é fé demais pra mim!

    […] infelizmente, já não é tão bom… […]

    Não foi argumento, foi apenas um reconhecimento que sua fé é maior do que a minha!

    Que Deus te abençoe de alguma forma.
    Qual deus?
    Não sei o que significa “abençoar” mas entendo que você está me desejando o bem. Agradeço muito e também lhe desejo tudo de bom.

    Abençoar no sentido de que ELE apascente sua busca, sua ansiedade e seus conflitos.

    Um abraço!



    [Editado por T-Rex para colocação de blockquotes]

    • Tyrannosaurus disse:

      Não se trata de Design Inteligente[…]

      Sim, trata-se do argumento conhecido como “Design Inteligente”.

      […]implica em um único SER tricotomizado em PAI, FILHO e ESPIRITO SANTO[…]
      Tentar provar que DEUS é o DEUS hebreu é a mesma coisa que dizer que DEUS é de barro[…]

      “tricotomizado em PAI, FILHO e ESPIRITO SANTO”? Como eu imaginei, estamos falando do deus hebreu.

      Na realidade Deus não existe.
      […]sendo DEUS sua substancia é absoluta e completamente diferente da nossa[…]

      Primeiro você afirma que deus não existe e depois faz afirmações sobre deus. Sua tática consiste no seguinte: você afirma que deus não existe para se esquivar da tarefa de provar sua existência, que você sabe impossível. Depois passa a fazer afirmações sobre deus como se tivesse provado sua existência. Siga a ordem lógica: primeiro prove a existência, depois arrisque-se a fazer afirmações sobre algo que você provou que existe. Se não pode provar que existe então não pode fazer afirmações que são consequência da existência e o discurso se encerra.

      Na realidade Deus não existe.[…]
      […]Ele é indescritível, entretanto isso não significa que DEUS NÃO EXISTE. Ele preenche tudo, e não veio de nenhum lugar, sempre esteve presente, portanto não há nenhum lugar de onde tivesse existido.

      Isso é retórica, totalmente contraditória e sem significado.

      Carlão, você não está num púlpito pregando para crentes ávidos de acreditar em qualquer tolice que lhes seja enfiada goela abaixo, você está participando de um debate no qual deve apresentar argumentos racionais e lógicos. Você reparou como esta página já está enorme e demora para carregar? E o pior é que a maior parte do que está nesta página é constituído de afirmações sem qualquer lógica. O espaço que aqui cedo aos leitores para que coloquem seus comentários não deveria ser desperdiçado com o bla-bla-bla de afirmações místicas. Sim, eu sei que o blog já está repleto de comentários assim, seria injusto tolher apenas o seu. Por isso estou pensando seriamente em estabelecer mais uma regra para postagem de comentários… algo como: “Só serão permitidos argumentos com premissas e conclusões indicadas claramente”. Não sei… Se eu for muito exigente na regra é possível que o blog fique totalmente deserto e sem comentários…. preciso encontrar um meio termo!

      Sim quais são as outras respostas pelo menos INTELIGENTES ou PLAUSÍVEIS?

      Uma delas é a que eu havia acabado de descrever!
      Repito aqui:
      “A tudo o que existe chamamos de Universo. Vamos mudar o nome disso para: Deus. E voilà, habemus deum!”

      É uma hipótese que prevê a existência de um deus mas sem apelar para um deus absurdo. É mais lógica que a sua explicação, e mais: o universo EXISTE! Portanto, esse…”deus” EXISTE! Que mais você quer?

      Não tenho a sua fé ou confiança que viemos do nada e voltaremos para o nada, é fé demais pra mim!

      Por gentileza, indique em qual ponto do texto (ou de qualquer outro texto meu) eu afirmei “que viemos do nada”.

      Abençoar no sentido de que ELE apascente sua busca, sua ansiedade e seus conflitos.

      Ainda acima você afirmou que ele não existe. Se não existe não pode realizar feitos.

      Um abraço.

    • Não existe nenhum ser que não seja finito. Nenhum ser está além da matéria e da energia e não existe nada e nem nenhum ser que sempre tem sido e sempre o será. Não há nenhum ser ou coisa cuja substancia é absoluta e completamente diferente da nossa ou de qualquer outra coisa!
      O seu texto é uma coleção de afirmações sem provas e explicações. Apenas o “wishful thinking”. Nada mais. Jamais diga que um ateu tem uma crença de que o Papai Noel não existe. Um ateu também não tem fé e nem uma crença de que os ET’s não existem.Apesar de muitas supostas evidências, nem eu e nem eu e nem você precisamos crer que eles não existem. Deus existe ou não existe. Não é a crença de alguém que o faz existir ou não existir. Pra exemplificar, eu não preciso crer na inexistência de Jeová, assim como você não precisa crer na inexistência de Alá!!

  2. T. Rex uma coisa é argumentar e eu aqui não quero PROVAR nada para você, não! Como eu te disse antes a única maneira é uma conscientização do que é completamente plausível. Então apenas admita que outras possibilidades existem e é bastante lógica.
    No entanto seus argumentos não são sinceros, quando observo que suas respostas vem de uma crença, me desculpe a constatação de que o ateísmo pra você é realmente uma crença! Você é um crente fanático em sua própria afirmação parecer ser sincera, enfim. Apesar de afirmar que não, seu discurso de ser cético é em princípio um sofisma que criou para si mesmo e eu não vou tentar te convencer de nada, porque seu idealismo fanático parece ser de um crente doutrinado em dogmas inquebráveis e totalmente radical. Por isso resolvi escrever mas sem querer ser ofensivo, eu sinceramente acho, que se você fosse um pouco mais honesto consigo mesmo e não vivesse nesse tolo mito de que nós como seres humanos somos alguma coisa, ou seja sem a arrogância de pensarmos que não somos seres temporais, limitados, fenomenalistas, ou seja se formos autênticos, teremos que admitir a transcendência e não negá-la de forma peremptória.
    Me parece, e veja que aqui só tenho a possibilidade de analisar o que escreveu, portanto não se trata de um julgamento vazio e sim uma constatação de suas crenças verdadeiras nas publicações e podem ser sinceras pelo que vejo. Sua crença ou “suposta constatação” a que chamo de inautêntica só existe porque Deus é a completa possibilidade de um fato na existência, senão seria impossível sua aparente “constatação” pois não haveria como deixar de acreditar em algo sem a diminuta possibilidade da sua completa possibilidade de real existência, portanto quanto ao seu ateísmo como bem colocou a lógica de não acreditar só existe da possibilidade de poder ser uma certeza completa. Não sei se nossa “conversa” aqui fica disponível para outras pessoas que leem seu blog, mas fico me perguntando porque ainda não fomos interrompidos, por isso fiquei por muito tempo sem responder seu post. Enfim, ninguém T. Rex é dono da verdade, a verdade não é algo que se possui e sim algo que se vive, prerrogativa incomunicável do Rabí de Nazaré. Só admita que a possibilidade da completa radical e abusiva existência de um Deus.

    • Tyrannosaurus disse:

      Olá, Carlos

      Então apenas admita que outras possibilidades existem e é bastante lógica.

      Sim, eu admito outras hipóteses e já escrevi sobre isso, por exemplo no item 4 deste comentário e no meu texto As Leis das Natureza.
      Você se refere à provável existência de algum deus? Sim, é uma hipótese possível, porém, se existe um deus ele é lógico. O deus hebreu é tão absurdo quanto Baco, Odin e todos os outros. Esses não existem.

      …seus argumentos não são sinceros…
      …Você é um crente fanático…
      …um sofisma que criou para si mesmo…
      …seu idealismo fanático…
      …se você fosse um pouco mais honesto…

      Muitas críticas a mim mas nenhum argumento.
      A frequência com que isso acontece cada vez mais me convence de que talvez seja necessário adotar uma política de comentários mais rigorosa.

      […] não vivesse nesse tolo mito de que nós como seres humanos somos alguma coisa[…]

      Mas eu digo justamente o contrário: seres humanos são apenas animais como todos os outros: robôs orgânicos.

      […] ou seja sem a arrogância de pensarmos que não somos seres temporais […]

      Onde eu afirmei que não somos seres temporais? Arrogância é pensar que somos muito importantes.

      […] se formos autênticos, teremos que admitir a transcendência […]

      Em outras palavras quem concorda com você é autêntico, quem discorda é falso, dissimulado, fingido, etc. Esses são seus argumentos?

      Sua crença ou “suposta constatação” a que chamo de inautêntica só existe porque Deus é a completa possibilidade de um fato na existência, senão seria impossível sua aparente “constatação” pois não haveria como deixar de acreditar em algo sem a diminuta possibilidade da sua completa possibilidade de real existência[…]

      Essa curiosa afirmação implica que minha descrença no Papai Noel só é possível porque o Papai Noel existe.

      Não sei se nossa “conversa” aqui fica disponível para outras pessoas que leem seu blog[…]

      Sim, fica.

      Enfim…
      Espremendo seu longo comentário não se extrai um único argumento apenas algumas críticas. A principal delas é a de que eu sou “fanático”. Se fosse uma crítica bem fundamentada eu aceitaria como crítica construtiva mas ela se baseia numa confusão, num mal-entendido da sua parte. Eu explico. Para você o discurso teísta deve soar como uma revelação mas para mim, não. Não constitui prova. Pessoas racionais exigem provas convincentes. Eu sou uma dessas pessoas e sou radical nisso. E isso lhe parece fanatismo. Teístas são fanáticos porque não importa quais provas lhes apresentem, eles não mudarão de ideia, isso porque seu fanatismo se baseia no desejo ardente de que sua fantasia cor-de-rosa seja verdadeira – a isso se chama fé. Ao passo que pessoas racionais podem mudar de ideia se lhes for apresentada prova convincente e irrefutável. As prestidigitações, ilusionismos e truques de salão que você interpreta como provas da existência de um deus absurdo não me convencem. Não funcionam comigo do mesmo jeito que funcionam com os simplórios desesperados que frequentam sua igreja. Apresente-me provas da existência do seu deus absurdo e eu me convencerei. Portanto não sou fanático, sou radical e intransigente na busca da verdade.

      • T.; Rex não ataquei sua pessoa mas sim ao que o Sr. expôs como ideias hehehe Os argumentos estão todos ignorados em seus posts anteriores, reveja.

        • Para o Carlos, tudo é questão de fé, de crer nisso ou naquilo. Carlos agora propõe ao T. Tex, que ele abandone a busca da verdade e passa a ter fé na “possibilidade da existência de deus”. Para ele, a verdade não tem importância alguma… na simples cogitação da existência de deus devemos parar tudo e passar a crer naquela possibilidade que é mais agradável, a de que existe um “plano de vida” para cada pessoa, que cada um será recompensado por suas “boas ações”. Ou seja, viveremos da esperança de que deus exista e que, no fim das contas, estejam os certos e sejamos agraciados com a vida eterna ao lado de deus.
          O Carlos bem que poderia nos provar aqui que ele não tem crença na inexistência de Alá. Deveria nos provar que, para ele, Alá não existe, não apenas por que ele crê que não existe, mas que não existe de fato, já que pelas suas palavras, podemos presumir, que ele tem certeza de que Alá não existe! O mesmo “crime” de que ele nos acusa: o de inventarmos que deus não existe, somente por que temos fé que ele não existe. É mais ou menos isso.

    • “os humanos, surgidos do NADA no universo onde existem bilhões de estrelas e galáxias são EXCLUSIVAMENTE dotados de características que desafiam qualquer explicação científica ou carece das explicações evolucionistas que indiquem de onde surgiu na nossa natureza humana a existência de um padrão moral, ou LEI MORAL (conhecimento do certo e do errado) e a necessidade intrínseca em todas as culturas e nações da terra da necessidade e a busca de um ser superior ATEMPORAL, sem localização no tempo e no espaço, do qual não precede ou sucede, o qual tudo pra ele está simultaneamente presente.”

      A lei moral não existe. Pelo simples motivo de que não existe um padrão moral único para todos os povos. O ser humano não tem o conhecimento do certo e do errado. Isso é mais uma falácia. O ser humano que comete um assassinato e oculta o corpo, não considera o que fez errado, pelo contrário, se não não teria feito. E por que oculta o corpo? Simplesmente por que essa pessoa sabe a sanção que irá sofrer se for pego. O ladrão não considera errado roubar, seja para comer ou seja para comprar bens não essenciais. Esse é o único conhecimento que ele tem: o de que a maioria das pessoas não aceita estes atos que ele cometera. O ser humano só cria as leis para tentar coibir que o outro venha a lhe fazer mal. É como se a lei fosse criada sempre “para os outros”. Isoladamente, qualquer um que acha correta a criação de lei que puna o assassinato ou o roubo poderia infringi-la, sem achar que deveria ser punido por isso. Na verdade, o ateu ou o crente retiram da empatia a sua lei moral. E as pessoas tem diferentes graus de empatia. Vamos do psicopata à Madre Teresa de Calcutá. Ora, a própria bíblia, que afirma que deus existe, afirma também que ele aceitava tranquilamente a escravidão de um ser humano, seja por motivo de racismo, seja para pagar dívidas. Isso era bom aos olhos do deus descrito na bíblia. Naquela época, hoje em dia, os mesmo que usam a bíblia como fonte da verdade, afirmam que deus é contra a escravidão. Portanto, se deus existisse, ele teria sido um ser que muda de ideia em pouco tempo (2000 anos para um deus seria o tempo gasto para um piscar de olhos), ou seja, um deus cujos preceitos morais se modificam ao longo do tempo. Logo ele, que seria imutável!

      “Diante disso tudo o DEUS que estou falando, DEUS não é brasileiro ou hebreu, o DEUS revelado pela bíblia (uma série de escritos antigos, tido como sagrado, escrito em épocas e distante em séculos do qual se completa em uma única mensagem ao ser humano) implica em um único SER tricotomizado em PAI, FILHO e ESPIRITO SANTO que conhece todas as coisas e cuja natureza é elevada demais ao conhecimento e ao pensamento humano.”.

      Ora, citar a bíblia para provar a existência de deus chega a ser desonesto: todos sabemos que o que está escrito na bíblia sobre Jesus foi chupado da lenda de Horus, o deus egípcio, ou da crença politeísta dos sumérios.

      Se não se pode comprovar cabalmente que a teoria da evolução está correta, também não se pode provar que existem deuses. E a “falta” de provas da certeza da evolução, não conduz a conclusão de que deus existe.

      Por fim, se a ideia de que tudo surgiu do NADA é tão absurda, do mesmo modo é a ideia de que tudo foi criado por um deus.

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