Argumentos Ontológicos

Argumentos Ontológicos são aqueles que tentam provar a existência de deus a priori, através de silogismos. Um dos mais conhecidos foi, supostamente, proposto pela primeira vez por Anselmo de Cantuária, no século XI.

É mais ou menos assim…

1 – Nossa compreensão de deus é um ser tal que não se pode conceber nada maior que ele.
2 – A idéia de deus existe na nossa mente.
3 – Um ser que existe tanto na nossa mente como na realidade é maior que um ser que existe apenas na nossa mente.
4 – Se deus existe apenas na nossa mente então podemos conceber um ser ainda maior que existe na realidade.
5 – Não podemos imaginar algo que seja maior que deus.
6 – Portanto, deus existe.

Por mais que pareça piada muita gente leva isso a sério. Repare que a linha 1 introduz uma definição para deus (“um ser tal que maior não se pode conceber”) – isso é necessário para se provar que o deus que existe é aquele que foi definido. Muda-se a definição e o raciocínio terá necessariamente de mudar. A linha 3 tem outra definição, qual seja, uma conveniente definição para a palavra “maior”. A linha 4 utiliza e portanto depende da definição da linha anterior. A linha 5 repete a definição de deus da linha 1. O raciocínio todo depende de várias definições escolhidas convenientemente e termina por afirmar que algo existe apenas porque pensamos. É um jogo de palavras. Se algo existe então sua existência pode ser comprovada mas não pela filosofia. A filosofia não pode provar a existência de nada, isso é tarefa das ciências empíricas. De fato, o argumento é tão fraco que até “são” Tomás de Aquino o rejeitava. É claro que a banal constatação de que esse tipo de argumentação é bobagem não constitui prova da inexistência de deus, isso prova apenas algo que já sabemos, que alguém que deseja acreditar em algo irá fazer de tudo, até tentar manipular a razão para encontar o que deseja.

Por exemplo, vamos mudar algumas definições e ver o que acontece:

1 – Nossa compreensão de deus é um ser tal que não se pode conceber nada maior que ele.
2 – Um ser que só cria o bem é maior que um ser que cria tanto o bem como o mal.
3 – Deus é o maior de todos os seres portanto deus só cria o bem.
4 – Deus criou tudo o que existe portanto tudo o que existe é o bem.
5 – O mal existe.
6 – Portanto deus não existe.

Isso demonstra outra coisa que já sabemos: podemos criar jogos de palavras para provar o que quisermos (os antigos gregos já se divertiam com isso há milênios). Então como distinguir silogismos válidos e verdadeiros de jogos de palavras e embustes? Alguém que busca a verdade mas ainda não sabe para que lado pender poderia pensar consigo: “se as palavras podem ser manipuladas tanto por uns como por outros como vou fazer para descobrir onde está a verdade?”. Boa pergunta, gafanhoto, e a resposta é: aprendendo a pensar por conta própria.

Isso posto podemos aproveitar o mesmo argumento de “santo” Anselmo para provar a existência do Super-Pateta™ [1]. Vejamos:

1 – Nossa compreensão do Super-Pateta™ é um ser tal que não se pode conceber nada maior que ele.
2 – A idéia do Super-Pateta™ existe na nossa mente.
3 – Um ser que existe tanto na nossa mente como na realidade é maior que um ser que existe apenas na nossa mente.
4 – Se o Super-Pateta™ existe apenas na nossa mente então podemos conceber um ser ainda maior que existe na realidade.
5 – Não podemos imaginar algo que seja maior que o Super-Pateta™.
6 – Portanto, o Super-Pateta™ existe.

Se o argumento ontológico de “santo” Anselmo é válido, então provamos não só que o Super-Pateta™ existe mas também (e ainda mais fascinante) que o Super-Pateta™ é deus! Ou deus é o Super-Pateta™, como preferirem.


C.Q.D.




P.S.

Podemos aqui, didaticamente, propor um exercício ao leitor:

Exercício (para casa) – Prove que você pode provar a existência de qualquer coisa

Preencha os espaços em branco nas frases abaixo com a entidade da sua preferência:

1 – Nossa compreensão do __________ é um ser tal que não se pode conceber nada maior que ele.
2 – A idéia do __________ existe na nossa mente.
3 – Um ser que existe tanto na nossa mente como na realidade é maior que um ser que existe apenas na nossa mente.
4 – Se o __________ existe apenas na nossa mente então podemos conceber um ser ainda maior que existe na realidade.
5 – Não podemos imaginar algo que seja maior que o __________.
6 – Portanto, o __________ existe.

Obs: NÃO é necessário me enviar o exercício feito!




“Acreditar é mais fácil do que pensar. Daí existirem muito mais crentes do que pensadores.”Bruce Calvert


“All ontological arguments are a case of bad grammar.”Bertrand Russell




Links sobre o assunto


Notas

[1] Super-Pateta™ é marca registrada de Walt Disney Co. e blá blá blá.

[2] Recomendo aqui o texto em inglês Ontological argument em detrimento de sua versão em português Argumento Ontológico porque aquele é muito mais completo que este, como em geral acontece.









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10 respostas para Argumentos Ontológicos

  1. Felipe disse:

    Meu caro, se o Super-Pateta é o maior ser concebível, ele não se tornará distinguível de Deus. Daí, você só trocou um nome, não mexeu no conceito. A ideia de Deus é puramente a de maior ser concebível.

    Outro absurdo do texto é “A filosofia não pode provar a existência de nada, isso é tarefa das ciências empíricas.”

    Abraços

    • Tyrannosaurus disse:

      Olá, Danillo

      […]se o Super-Pateta é o maior ser concebível, ele não se tornará distinguível de Deus. Daí, você só trocou um nome, não mexeu no conceito.

      Exatamente, o Super-Pateta não será distinguível de “deus” dependendo da sua definição de “deus”. O raciocínio todo depende de uma definição de “deus” escolhida convenientemente e de uma definição de “perfeição”.

      A ideia de Deus é puramente a de maior ser concebível.

      Isso sugere que se você definir “deus” de uma determinada maneira então o raciocínio seria válido e, de acordo com ele, “deus” existiria; mas se você definir “deus” de outra maneira então ele não existiria. Então você acha que suas definições pessoais das coisas determinam a existência dessas coisas no mundo real?

      Abraço


      Adendo (26/10/2013)

      O que expliquei resumidamente neste texto é explicado mais detalhadamente no curso indicado abaixo, o qual eu desconhecia quando escrevi o texto:

      Introduction to Philosophy: God, Knowledge and Consciousness (MIT Online Course)

  2. Oiced Mocam disse:

    10 Perguntas que todo cristão não consegue responder!

    Saudações Irreligiosas
    Oiced Mocam

    • Raul Galdino disse:

      Eu tenho tranquilamente a resposta para estas 10 perguntas. Mas elas só farão sentido se você acredita na existência do Deus da Bíblia, o que não é o caso do falante do vídeo.

      Questões como essas, surgem também na mente de quem acredita em Deus, porque não conhecem a Deus. Interpretam Deus de uma maneira totalmente equivocada.

      Vou resumir cada resposta, pois o espaço aqui é curto (se alguém quiser que eu explique melhor alguma resposta, responda ao meu comentário.

      1) Se uma perna amputada não foi regenerada, das duas, uma: ou o homem não pediu a Deus com fé, ou Deus não quis restaurá-la (Deus é soberano. Ele faz o que quer sem precisar dar satisfação a ninguém). Creio que, na grande maioria dos casos, ocorra a segunda opção, pois se Deus quisesse que as pernas dos homens se regenerassem, ele faria o homem com essa capacidade. Assim como, se Deus quisesse que o homem voasse naturalmente, ele dotaria o homem de asas!
      Se alguém quiser, explico melhor sobre as vontades de Deus e os milagres que Deus pode fazer.

      2) Muita gente no mundo morre de fome porque o homem é desobediente. Se todos os homens obedecessem a Deus, ninguém sofreria, nem de fome, nem de nada (Deus diz: “amai-vos uns aos outros, assim como eu vos amei”). Deus cuida daquele que deixa ser cuidado! Se alguém quer mais detalhe, peça em um comentário. Poderei explicar melhor, inclusive sobre as crianças inocentes.

      3) Em Êxodos 35.2, Deus NÃO ordena que devemos matar aquele que trabalhar no sábado, o que Deus disse é que devemos descansar no sábado para não morrermos (se você trabalhar todos os dias da semana, inclusive sábados e domingos, chegará um dia em que você ficará cansado e adoecerá e poderá morrer). Deus, conhecedor das limitações humanas, escolheu um dia na semana para que o homem descansasse. O dia escolhido PARA OS JUDEUS foi sábado.

      Em Deuteronômio 21.18-21, aí sim Deus manda apedrejar até matar. Isso é num caso extremo de desobediência de um filho aos pais. Mas isso também é uma lei PARA O POVO JUDEU. Agora uma pergunta para você: o que VOCÊ faria com um filho de um casal de vizinhos seus, se esse garoto ateasse fogo na sua casa, matasse os seus filhos e estuprasse a sua mulher? É um caso de extrema desobediência! A lei PARA OS DEMAIS é: “atire a primeira pedra quem não tem pecado”.

      Em Levítico 20.13, Deus também NÃO manda matar os homossexuais. Ele diz que o homossexualismo (ou a homossexualidade), isto é, a prática homossexual é abominável aos olhos dEle (de Deus). E todo aquele que a pratica será culpado (“o seu sangue será sobre eles” significa que eles mesmos são culpados de suas atitudes). Nesse caso, é um aviso de Deus aos judeus homossexuais; porém, em outras passagens, Deus diz o mesmo a todo homossexual, judeu ou não.

      Encurtando a questão 3, leiam Romanos 1.16-32

      4) A Bíblia não contém nenhuma bobagem científica! A ciência NÃO pode provar que o mundo foi criado em 6 dias, muito menos se o mundo foi criado! Portanto, isso é algo que está além do alcance da ciência!

      O Método Científico, proposto por Galileu, e adotado até hoje pelas ciências naturais, se baseia na observação, isto é, na percepção dos fatos através de um dos sentidos (visão, audição, etc.). E não podemos perceber algo que ocorreu somente quando nenhum ser humano existia! Mesmo que se crie condições semelhantes ao início do Universo, ninguém pode afirmar com certeza que tais condições são de fato verdadeiras. Portanto, com relação à criação do Universo, você pode até chamar de bobagem, mas “bobagem científica” não!

      E quem é a ciência para afirmar com certeza que o Universo tem bilhões de anos?! rs. Isso sim é uma bobagem científica! Ninguém pode provar! Triste é ver as pessoas crendo cegamente nessa falácia científica.

      Todas as afirmações que a Bíblia faz, como as que são apresentadas no vídeo, ou a ciência não pode provar, ou a ciência prova o mesmo que a Bíblia já disse. Só que a linguagem da Bíblia não é a linguagem científica. Veja, por exemplo, quando a Bíblia afirma que criou o homem a partir do pó da terra. Em linguagem científica, podemos dizer que os mesmos elementos químicos encontrados no corpo humano são também encontrados na terra (Deus se comunica com o homem numa linguagem acessível ao homem: Deus não podia, naquele tempo, falar em elementos químicos, átomos, prótons, elétrons, nêutrons etc.).

      5) O fato de Deus falar sobre algo, não quer dizer que ele é a favor. Quando Deus fala sobre escravidão, ele, em momento algum, diz que é a favor. A escravidão é uma criação humana, e o que Deus fez foi deixar regras de conduta entre senhores e servos, para que vivam da melhor forma possível.
      E nem todas as passagens citadas no vídeo estão falando de escravidão. Algumas falam de servidão a Deus, o que é totalmente diferente aos olhos cristãos.

      6) Pessoas boas não são infalíveis!

      7) Se alguém filmasse (em vídeo) os milagres de Jesus, e a ciência provasse que o vídeo era real, gravado há mais de 2000 anos, sem edição ou cortes, você acreditaria?! As evidências dos milagres de Jesus foram mostradas aos povos que viveram na mesma época de Jesus. Como, naquela época, não havia máquina fotográfica, câmera filmadora etc., o único meio de se registrar os milagres era a literatura, por isso escreveram a Bíblia. Pra mim, a Bíblia é uma evidência, tanto como seria um vídeo ou uma foto, se houvessem. Se você não considera a Bíblia uma evidência, não posso fazer nada!

      8) O Todo Poderoso e amável, que o vídeo chama de Jesus, “aparece” a mim e a inúmeras pessoas que nele acreditam! Acreditem se quiser! Só que não vemos uma imagem dele. O ser humano tem uma “fixação”, um “desejo” por querer ter algo visível para poder sentir o objeto presente. É por isso que os gregos e os romanos criaram tanta imagem para representar os substantivos abstratos (é deus disso, é deus daquilo…)! A pessoa de Deus não se faz presente através da visão! Não explicarei como, porque isso transcende ao intelecto de qualquer ser humano natural (que não detecta as coisas sobrenaturais). E outra: Deus é Santo! Ele só se fará perceptível a você, se você também o for (santo quer dizer separado do mundo, voltado totalmente para Deus, por amor).

      9) Sou uma pessoa inteligente, com uma educação universitária, e compreendo perfeitamente a ignorância do autor dessas questões!

      Comer a carne e beber o sangue é uma metáfora! A Bíblia está repleta de metáfora. Quando Jesus disse isso, ele não ofereceu seu corpo para ser devorado! Ele, simbolicamente, repartiu pão e vinho.

      O que Jesus quis dizer com isso é que a vontade dele é que sejamos salvos. E a salvação é para aquele que acredita que o corpo (a carne) de Cristo foi crucificado e seu sangue derramado inocentemente em favor de todos nós, culpados, pecadores. Assim, aquele que acredita é como se comesse da carne e bebesse do sangue.

      10) Resumidamente: porque a maioria dos cristãos, assim como a maioria dos não cristãos, não sabem escolher uma pessoa para casar. Não existe uma pessoa certa para cada um; o que existe são pessoas que devem estar dispostas a amar e ajudar a seu cônjuge em tudo o que lhe for necessário, para que juntos, vivam em harmonia.

      E quando os cristãos dizem: “o que Deus uniu, o homem não separe”, é para que se lembrem que Deus é contra o divórcio. Se o homem viver da maneira que Deus quer, certamente não haverá divórcio.

      Saibam que:
      Os males presentes na humanidade não vem de Deus, mas da ausência de Deus na vida do homem.

    • Raul Galdino disse:

      Eu não tinha visto o finalzinho do vídeo:

      Você é uma pessoa esperta. Está na hora de você usar a sua inteligência e SE LIBERTAR destas ILUSÕES DE QUE DEUS NÃO EXISTE.

      É hora de você começar a pensar como um ser humano RACIONAL: Deus não é nenhum amiguinho imaginário. Não estou doente, nem louco. Pra mim, ele é real. NÃO está na minha mente! Só lamento o fato de que muitos não conseguem detectá-lo e acabam dizendo que Deus é imaginário.

      Utilizando um fato histórico para fazer uma rápida analogia: no final do século XIX, muitos cientistas estudavam os raios catódicos, produzidos numa ampola de Crookes, dentre eles o físico alemão Wilhelm Röntgen. Durante esses estudos, ele conseguiu detectar uma energia diferente dos raios catódicos e de qualquer energia conhecida até então. Röntgen deu o nome de raios X, e, embora ele tivesse detectado em seus experimentos, muitos cientistas que haviam trabalhado com raios catódicos não detectaram os chamados raios X; outros (como o físico húngaro-alemão Phillip Lenard) até detectaram, mas não perceberam que era algo diferente. E mesmo depois da publicação de sua descoberta, muitos cientistas não acreditaram em Röntgen. Demorou-se um certo tempo, para que a descoberta de Röntgen fosse considerada por todos.

      É mais ou menos assim que ocorre com Deus, só que existe uma grande diferença entre Deus e os raios X: a pessoa de Deus não é perceptível por nenhum dos sentidos físicos humanos, nem por nenhum instrumento que o ser humano tenha inventado ou venha a inventar. Por isso, jamais cientista algum, usando o Método Científico, será capaz de detectá-lo.

  3. Raul Galdino disse:

    Olá, Tyrannosaurus.

    Infelizmente, muitas pessoas fazem uso de raciocínios absurdos como esses, na tentativa de provar a existência de um deus.

    Eu tenho inúmeras provas concretas da existência de um deus, que costumo chamá-lo de Deus (veja meu comentário em https://tyrannosaurus.wordpress.com/2010/03/19/deus-com-minuscula-ou-maiuscula/). Porém, não vou perder meu tempo expondo-as aqui.

    Para um ateu, nenhuma prova é suficiente; para um cristão, nenhuma prova é necessária.

    Nenhuma das provas que tenho vai satisfazer sua cognição, pois deduzo que você – assim como praticamente todos aqueles que não acreditam em nada sobrenatural ou divino – não acredita em uma prova que não seja obtida pelo Método Científico. De um modo geral, as pessoas acreditam que as verdades científicas são verdades supremas, infalíveis, e se esquecem de que a história está repleta de erros cometidos pela ciência (infinitamente maiores em quantidade do que os acertos).

    Não existe, nunca existiu e nunca existirá prova científica da existência ou da não existência de uma divindade. E qualquer cientista que tentar provar a existência ou a não existência de um deus, estará agindo na maior ignorância, pois o sobrenatural não é objeto de estudo da Ciência. Não compete à ciência estudar a existência ou não de divindades.

    Concluindo, embora o ônus da prova caiba a quem diz que acredita, quando se trata de deus, não espere que um cristão sensato tente te provar que exista um deus. Cada um que fique com a sua crença: eu CREIO que Deus existe, enquanto você CRÊ que não existe deus (note a diferença de significado entre a troca das palavras “deus” e “existe”).

    • Tyrannosaurus disse:

      Olá Raul,

      No segundo parágrafo você diz “Eu tenho inúmeras provas concretas da existência de um deus” e no quinto parágrafo diz “Não existe, nunca existiu e nunca existirá prova científica da existência ou da não existência de uma divindade”. A aparente contradição nasce da ambiguidade no uso que você fez da palavra “prova”. Nesta última frase quer dizer “prova que seria aceita pela ciência” e no primeiro caso quer dizer “uma prova que seja boa o suficiente para mim”. Ciência, como você sabe, significa conhecimento, ou seja, o conhecimento humano sobre o universo. Assim podemos reformular as definições de prova:
      no quinto parágrafo você usa a palavra “prova” com o sentido de “informação que está de acordo com o conhecimento humano sobre o universo e seus métodos para se determinar quais informações são verdadeiras”; e no segundo parágrafo usa a palavra “prova” com o sentido de “informação que não está de acordo com o conhecimento humano sobre o universo e seus métodos para se determinar quais informações são verdadeiras mas que eu aceito como verdadeira mesmo assim”.
      Deduz-se que você não tem “inúmeras provas concretas da existência de um deus” mas apenas informações não-verdadeiras que, para você, corroboram o que você gostaria que fosse verdade.

      De um modo geral, as pessoas acreditam que as verdades científicas são verdades supremas, infalíveis, e se esquecem de que a história está repleta de erros cometidos pela ciência

      Todos sabemos disso, mas o que você sugere? Que todo o conhecimento obtido pela ciência é falso? Não, embora tenha insinuado isso, você sabe que não é assim. O conhecimento se apura ao longo do tempo. A Relatividade de Einstein mostrou novas equações do movimento mas isso não quer dizer que Newton estava errado, apenas as equações de Newton são um caso especial em que as velocidades são muito baixas e suas equações podem ser deduzidas a partir das equações da Relatividade.

      Concluindo, embora o ônus da prova caiba a quem diz que acredita, quando se trata de deus, não espere que um cristão sensato tente te provar que exista um deus.

      Raul, vejo que você é um cristão sensato pois sabe que não pode comprovar os dogmas da sua religião e tem consciência de que acredita porque quer. Poderia ser ainda MAIS sensato se concluisse que não faz sentido tomar como verdade algo sem provas porque provavelmente não é. Mas já é algo bom. Casos perdidos são aqueles cristãos que tentam provar que a terra tem 6 mil anos de idade, etc., ou seja, tentam forjar uma ciência que comprove seus dogmas.

      […] enquanto você CRÊ que não existe deus […]

      A descrença não é uma crença.

      • Raul Galdino disse:

        “Ciência, como você sabe, significa conhecimento, ou seja, o conhecimento humano sobre o universo”.
        Ciência (substantivo comum, escrito com inicial minúscula) significa conhecimento, mas Ciência (substantivo próprio, escrito com inicial maiúscula) é um dos meios que o ser humano utiliza para obter ciência, isto é, para obter conhecimento (Ciência também pode ser considerado o conjunto de conhecimentos obtidos por tal meio, por tal método). A filosofia, por exemplo, é outro meio que o ser humano utiliza para se obter conhecimento.

        Quando eu disse que tenho “provas” e que não existe “prova científica”, não vejo nenhuma “aparente” contradição. O problema é que quase todo mundo só aceita (ou só enxerga) a prova científica como prova, quando na verdade existe diversos meios de se provar algo (e o Método Científico é apenas um deles). Quanto ao conceito de prova, é mais ou menos isso que você disse: prova é algo que é bom o “suficiente para mim”. Prova é algo capaz de nos convencer que determinado resultado é verdadeiro; e a prova científica é algo que se inclui nesse conceito (ela não foge à regra). Existem provas científicas, por exemplo, que não me convencem, e que, portanto, para mim, os resultados que foram submetidos a tal prova não são considerados verdadeiros, embora os seja pela Comunidade Científica (ou melhor, pela maioria dos cientistas).

        “… mas o que você sugere? Que todo o conhecimento obtido pela ciência é falso? Não, embora tenha insinuado isso, você sabe que não é assim.”
        Eu não insinuei isso. Eu acredito que muitos conhecimentos obtidos pela Ciência são verdadeiros. O que eu quis dizer é que NEM TODO conhecimento obtido pela ciência pode ser considerado verdadeiro. A prova está na própria história. Vou te dar um pequeno exemplo e até irrelevante do ponto de vista da humanidade (mas que não quer dizer que não existam exemplos relevantes): um grupo de cientistas PROVOU CIENTIFICAMENTE, certa vez, que o consumo diário da gema de ovo faz mal à saúde; depois, outro grupo de cientistas provou o contrário. Ora, há uma contradição nesses resultados. Portanto, acreditar em todo e qualquer resultado científico só porque é uma “prova” é algo irracional. Eu acredito se eu quiser, ou melhor, se as informações me convencerem.

        “… Todos sabemos disso, mas o que você sugere?”
        Eu vejo que o conhecimento científico se apura ao longo do tempo, conforme você disse, e acrescento que, ao longo do tempo, não só se aperfeiçoa os conhecimentos obtidos até então, mas também se corrige os erros científicos do passado (mas repito: nem tudo é erro! Só o tempo nos dirá onde erramos). E no futuro, corrigiremos os erros do presente.

      • Raul Galdino disse:

        “A descrença não é uma crença”.

        Concordo que a descrença não é uma crença. E tanto ateus quanto agnósticos são descrentes em relação à existência de um deus, mas o que difere aqueles destes é que estes também são descrentes em relação à inexistência de um deus, ao passo que aqueles não os são. Portanto, agnósticos não são crentes nem na existência, nem na inexistência de um deus, mas ATEUS SÃO CRENTES em relação à inexistência de divindades; sendo assim, ateísmo é sim uma crença! Qual o problema em afirmar que você crer em algo?!

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